Finalmente, a última postagem sobre minha coleção. Demorei tanto que ficaram vários pedaços desatualizados, mas faz parte, né?
Antes de continuar, talvez você queira ver as demais partes dessa postagem. Então, separei aqui para facilitar sua vida.
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Sem mais delongas, vamos partir para a última estante. Algum motivo especial para deixar essa pro final? Acho que não…

Essa estante fica exatamente entre a gaveta e a penúltima prateleira dessa estante nova. Aqui ficam apenas jogos de formato quadrado, como você pode reparar. Alguns empilhados (em especial os que se virar zoneiam tudo) e alguns em pé. Vamos seguir o rumo de leitura usual: da esquerda para a direita.
Epigo é um jogo abstrato para 2 jogadores que peguei em alguma Math Trade uns tempos atrás. Só que ele é um abstrato diferentão, pois tem ação programada. Isso gera um caos inesperado para o estilo de jogo, mas possibilita também umas jogadas incríveis justamente pela imprevisibilidade do que o oponente vai fazer. Se você conseguir prever qual será o movimento do oponente, dá uma satisfação muito boa. Deve ser um desses jogos que ficarei por muito tempo. Um dos negócios bacana do jogo é que ele possui 21 variantes. Algumas são um lixo, mas outras são incríveis. É muito legal explorar essa parte do jogo e refletir sobre as decisões de design. Ainda não joguei todas as variantes, apesar de ter 22 partidas nas costas, às vezes repito variantes ou simplesmente jogo no modo mais básico quando é algum novato.
Seguindo, vos apresento o único jogo que ganhei de presente e que ainda mantenho na coleção. Pode parecer uma atitude meio cretina vender um presente, mas eu gosto de manter minha coleção com jogos que eu queira jogar. Então, aqueles que não satisfazem ao crivo terminam voando. Junk Art é um jogo de destreza com diversos cenários diferentes e deve ser por isso que ainda não enjoei dele. Costumeiramente, jogos de destreza enchem o saco depois de um tempo, esse aqui eu jogo mais espaçado para não dar tempo de enjoar e estou sempre variando os cenários. Até o momento são 16 partidas, que não é algo extremo, mas geralmente esse estilo de jogo mal passa das 10 partidas. Inclusive, recentemente fizeram uma nova versão do jogo, e é possível jogar com a versão antiga. Então, dá para aproveitar os novos cenários implementados nessa segunda edição.
Se você acompanha por aqui, sabe que não gosto de Deck Building. Entretanto, depois que inventaram de botar um tabuleiro junto com a mecânica, até que tenho me agradado de alguns. Foi isso que aconteceu com Dune Imperium quando conheci lá em 2022. Gostei do jogo e esperei pela nova versão: Dune Imperium Uprising. Basicamente é um jogo de controle de área, alocação de trabalhadores e deck building. Pode parecer coisa demais, mas nem é tanto. O controle de área é quase que um leilão único durante cada rodada, a alocação de trabalhadores é o que guia o jogo e a parte de deck building é só para você ter aquele senso de progressão e de ações distintas.
Egizia é um dos jogos que está desatualizado na foto. Já vendi faz algum tempo e o motivo dele ter saído é basicamente o grau de similaridade com o Parks, que também está nessa estante. Ambos são jogos de alocação de trabalhadores com a restrição de andar sempre para frente. Egizia me pareceu o precursor disso e Parks aproveitou da ideia e melhorou. Outros jogos que usaram a mesma parada foi Francis Drake, que também já tive na coleção; e Tokaido, que nunca vi muita graça. Devem existir outros, mas a memória não ajudou agora. Eu até gostei do Egizia e prefiro a interação com mais sangue nos olhos dele do que a do Parks, só que falta sal na mecânica de gerenciamento de trabalhadores para construção. Então, vendi e mantive o Parks. O problema de Parks é que precisa ser jogado com 3 jogadores. Com 2 jogadores fica bem ruinzinho, por conta do automa. E com 4 ou mais jogadores, demora demais para a proposta do jogo. Então, termina que fica aqui sem ser jogado muito. A tendência é que eventualmente saia da coleção, mas comprei relativamente caro pela Amazon. Aí dá aquela pena de vender por um valor muito abaixo.
Onitama tá aí de intruso, meio que servindo de divisa entre os jogos de pé e empilhados. Esse é mais um dos jogos abstratos para 2 jogadores que tenho na coleção. Gosto muito do estilo, mas dos jogos nessa pegada ele é o mais fraquinho. Mantenho por ser extremamente simples de explicar, servindo até para levar em eventos. Fora que o formato diferente tem esse potencial decorativo.
Pronto, estamos quase no fim. Agora chegamos na pilha. Vamos começar do menor para o maior? Ali em cima está o Turing Machine. Esse jogo tem uma história engraçada. Fui com muita expectativa de jogá-lo pela primeira vez lá em 2023. Afinal, sou cientista da computação e adoro jogos de dedução. Pareceu o jogo perfeito para mim. Só que odiei. O jogo parecia mera sorte na escolha das perguntas. Só que esses são os cenários iniciais. Quanto mais difícil você vai deixando o jogo, menos sorte ele possui. Ainda existe sorte, mas tenho observado que é isso mesmo com jogos de dedução. A pergunta é muito importante para chegar na solução. Com o tempo fui vendo o potencial do jogo e terminei adquirindo. Atualmente são quase 30 partidas. Fora que devido a natureza do jogo, é possível jogar sozinho. Ou montar o jogo e pessoas diferentes jogarem em momentos diferentes para comparar seu desempenho. Já fiz isso e é uma ótima opção para uma competição assíncrona com jogo físico. Nunca tinha enxergado essa opção antes e acho difícil outros jogos permitirem essa maleabilidade. Tudo bem que isso também é o maior defeito do jogo: ser multiplayer solitaire, mas ele funciona bem desse jeito.
Já falei do Parks, então vamos para o World Wonders. Esse é mais um que não está mais entre nós. Eu sempre tive dúvidas sobre o quanto eu tinha gostado desse jogo. Tinha jogado apenas uma vez, novamente em um Spa, e adquiri depois pela curiosidade de jogá-lo mais vezes. Eu acho que o jogo tem algumas ideias interessantes, mas o maior problema para mim é a possibilidade de Analysis Paralysis. Como o jogo é relativamente leve, fica meio sem sentido a quantidade de downtime que pode acontecer. A minha última partida com 4 jogadores demorou mais de 2 horas, foi aí que decidi me desfazer. Se você não se incomoda com isso, vale a pena conhecer.
Por fim, o último jogo a ser comentado da coleção é o maior (e mais caro) jogo da minha coleção, talvez depois do parágrafo anterior você até estranhe eu ter um jogo em que tive partidas variando de 3 a 5 horas. Clash of Cultures é um jogo que já tive a primeira edição e vendi quando me mudei, tanto por conta do tamanho como por conta do esgotamento do jogo. A variedade sem a expansão fica por conta dos jogadores testarem novas estratégias. Lógico que ao mudar a mesa, as coisas também mudam. Só que, ainda assim, eu resolvi vender. Eu sabia do lançamento da edição monumental e fiquei à espera. Essa edição saiu no Brasil e eu continuei à espera. Afinal, não iria pagar mil reais em um jogo. Até que começaram a aparecer promoções, perdi algumas, mas em algum momento consegui adquirir por 600 reais essa belezura. Caro? Demais, mas acho que vale a pena. Por enquanto joguei apenas 6 partidas dessa minha nova cópia, mas tentarei jogar pelo menos tantas vezes quanto joguei a outra cópia (13 partidas). Acho que o que me falta é um grupo meio “fixo” e interessado no jogo para essas partidas acontecerem com maior frequência. Mas é bem interessante explorar as facções e tentar organizar sua estratégia de acordo.
Pronto. Encerramos. Estou com planos de mudar minhas estantes, como você reparou está meio bagunçado. A ideia é concentrar tudo em apenas um local. Quem sabe, quando isso acontecer, eu não faça um vídeo? Já que escrever demora tanto tempo entre as postagens que a coleção já mudou um bocado.
