Minha Coleção #2

Só recapitulando: estou com uma coleção de 79 jogos e na última postagem falei sobre 10 jogos. Nesse ritmo, vai demorar, né? Tirei 9 fotos e prometi uma postagem para cada foto. Então, vamos continuar, que ainda tenho muito o que escrever.

Vamos conhecer hoje o segundo móvel contendo minha coleção: a sapateira. Talvez você estranhe, mas fiquei muito satisfeito com a compra na época. Foi relativamente barato e tinha espaço interno bom para meus jogos e um espaço externo bom para colocar uns souvenirs e livros. Então, durante muito tempo supriu minhas necessidades para armazenar a coleção em um móvel relativamente pequeno. Vou até mostrar uma foto do móvel todo (fechado).

Como você pode perceber, tem esse espaço na lateral que coloco outras coisas. No princípio, parte desse espaço também era usado para jogos, já que era o único móvel que eu tinha com esse propósito. Hoje em dia, a sapateira está um pouco vazia de jogos. Deixei fechada com o espelho, em vez da parte interna, para não dar spoilers!

Tá bom, mas quais jogos serão comentados hoje? Que rufem os tambores…

Evidência B: estante (sapateira) velha, prateleira superior.

Apenas 7 jogos nessa prateleira e com bastante espaço sobrando. Quem sabe hoje eu não coloco já duas prateleiras? Vejamos o tanto que vou escrever.

Começando, novamente, da esquerda para a direita, temos o maior jogo dessa prateleira. Esse bicho é meio grande, acho até desproporcional ao conteúdo. A caixa é até meio levinha. Mind MGMT é um jogo de movimentação escondida, o último nesse estilo que ficou na coleção. Eu gosto dessa premissa: um jogador se esconde e os demais estão atrás dele. Geram sentimentos de tensão e umas emoções durante a jogatina. Entretanto, precisa ser muito bem feito para funcionar bem. É necessário um balanço, pois se for muito difícil a captura, o pessoal que tá procurando se frustra e morga; se for muito fácil, não existe a emoção da caçada e frustrará o jogador escondido. Até o momento eu tive alguns jogos e, por um motivo ou outro, não fiquei com o jogo. Ming MGMT está sendo (por enquanto, acho) minha última tentativa de encontrar um que me agrade. Em um primeiro momento eu gostei do jogo, jogamos o modo básico e depois partimos para a partida completa. Os dois lados jogam bem diferente: o escondido é mais um jogo de blefe, otimização de caminhos e calcular riscos; enquanto que os caçadores fazem um trabalho pesado de dedução. Eu gostei dos dois, mas preferi a dedução: me faz pensar mais em um tipo de raciocínio que gosto. Entretanto, senti que o jogo é muito de sorte. Duas das ações do jogo envolvem você perguntar algo para o jogador escondido: a primeira é se ele passou por locais com um determinado símbolo, a outra é meio que adivinhar os símbolos do jogador (ele tem três onde coleta “pontos”). A primeira funciona muito bem, pois o negativo também é uma informação útil, isto é, perguntar sobre algo que o jogador nunca passou pode lhe ajudar, assim como algo que o jogador passou. Entretanto, a segunda é onde o jogo se quebra. Você pode, na primeira rodada, chutar e acertar. A chance é mínima? É… Mas pode acontecer. Assim como você pode chutar repetidas vezes e errar. E isso, pra mim, estraga um bocado do jogo. Claro que não é só isso, talvez você jogando entenda o impacto da sorte no jogo e o quão frustrante pode ser: seja ganhar por uma cagada ou seja perder por um azar. Em nenhuma situação eu acho legal, pois na primeira não me sinto merecedor da vitória e no segundo sinto que perdi pelo mero acaso. Me forcei a jogar 10 partidas desse jogo ano passado para cumprir o Desafio 10×10, mas já estava de saco cheio. Eu achei o jogo “base” até interessante, mas existem uns pacotinhos usados para balancear os lados que são extremamente irritantes. São mais e mais regrinhas minúsculas, que modificam várias coisas. E aí existem uns 14 pacotes desses e você fica tirando e botando eles. Algo que era pra ser interessante só terminou fazendo eu achar o jogo inflado de conteúdo inútil. Esse é um que não aguentará até o final de 2026.

Não sou um fã dessa tentativa de colocar “harmonizar” ícones com o cenário. Entre aspas, pois achei completamente não harmônico, além de feio. Entendo o conceito da arte do jogo, afinal, segue um quadrinho, mas para mim é o ponto fraco do jogo.

Do lado, uma caixa bem menor, temos um jogo que está na fatidiga foto da coleção de 2017. Pois é, talvez você não imaginasse, mas Clans está a um tempão na coleção. Esse foi o jogo que inspirou Regicida, junto com alguns outros nesse esquema de que você é “dono” de uma cor (secreta) mas todos os jogadores podem mover as peças de qualquer cor. Blefe, dedução, leitura de mesa, várias coisas que gosto em um jogo com regras extremamente simples e diretas. Não joguei tanto quanto gostaria (15 partidas), mas acho que ficará na coleção um bom tempo ainda. Tanto pelo afeto que tenho pelo jogo ter me “ajudado” no meu primeiro jogo publicado, como pela lembrança de ter adquirido quando viajei para o Canadá. Comprei esse jogo usado de um casal super gente boa, junto com alguns outros, mas nenhum ficou na coleção. Eu poderia até vender e comprar a versão mais recente chamada Fae, mas o visual do outro jogo é um pouco esquisito.

Fae (esquerda) é a reimplementação de Clans (direita). Eu prefiro o visual clássico mesmo.

Coloquei dois jogos pequenos ali, só para não ficar tão vazia essa estante. Sim, depois de tirar essas fotos eu reorganizei a coleção para sua “bagunça” original. Vamos falar primeiro do DONUTS. Criado pelo “pai” dos jogos Duel: Bruno Cathala. É um jogo abstrato e segundo o próprio autor, seu jogo favorito (ao menos criado por ele, acho). Depois dessa declaração tudo se encaixou na minha mente sobre o estilão do Cathala. Basicamente, os jogos 1×1 dele são bem interessantes, pois ele consegue transmitir sempre esse sentimento de competição e de constante reação e tática em seus jogos. Entretanto, esse raciocínio não funciona muito bem em jogos multiplayer. Por isso que eu acho quase todos os jogos dele (que não são apenas para dois jogadores) ruins. Só que Kingdomino, Cyclades e Jamaica estão aí para mostrar que eu sou, claramente, uma minoria (às vezes solitária hehe) nesse caso. Discussões sobre game design de lado, falar sobre o jogo em si, né? DONUTS é um jogo abstrato para apenas dois jogadores que pega um conceito “clássico” e subverte de uma maneira que temos um jogo diferente, funcional e que dá um certo nó na sua cabeça. A ideia é aquela de cercar uma peça, presente aí desde o Xadrez Viking (Hnefatafl), só que aqui você precisa entrar no meio das peças para conseguir algo bom. Eu acho interessante, apesar de contraintuitivo, isso me faz pensar de uma maneira distinta e gosto disso. Não acho um abstrato de excelência, mas dado o tamanho e a velocidade da partida, provavelmente vai ficar na coleção por mais algum tempo.

Agora, o jogo comunista do saquinho vermelho chama-se Flip Circus. A princípio até gostei dele, mas já começou a cansar após apenas cinco partidas bem espaçadas. É mais um jogo para apenas dois jogadores. Veremos muitos desses por aqui. Acho que meu problema com o jogo é o fator memória, já que isso rege quase o jogo inteiro. Então, a partida se torna um pouco cansativa e requer uma concentração grande. Não dá, por exemplo, para jogar batendo um papo. Assim, até dá, mas aí vou jogar ignorando uma parte extremamente importante do jogo, que é se lembrar do que tem no verso de cada peça. Em todo caso, acho um jogo inteligente e bem bolado. Pretendo jogar mais vezes para decidir o que fazer com o jogo, mas entra naquele grupinho de jogos pequenos que não vão atrapalhar muito estar na coleção.

Flip Circus tem umas peças de excelente qualidade, só é uma pena a caixa do jogo ser um saco.

Pronto, agora essa mini-pilha final é composta por jogos completamente diferentes entre si. Inclusive, um deles está com a caixa vazia. Começando de cima pra baixo temos Brick Party. Esse é um caso esquisito de jogo que gosto, acho interessante, mas joguei muito pouco por conta da dificuldade de compor uma mesa. Basicamente, é um jogo de montagem de legos em time. Os times sempre são duplas e vão alternando (estilo La Boca/Recto Verso) no decorrer da partida. Sendo assim, é bom juntar umas 6 ou 8 pessoas para uma partida legal, só que atualmente tenho jogado muito de 2-4 jogadores. Grupos menores tem muitas vantagens: jogar jogos nos estilos que mais gosto, jogar partidas menos demoradas e afins. Só que os Party Game terminam ficando para trás. Talvez a opção seja levar Brick Party para eventos, mas como não sleevei as cartas me dá um dó. Talvez devesse sleevar, né?

No meio da pilha está o Kronologic: Paris 1920. Esse é um dos raros casos (mas cada vez mais comum) de jogos que comecei odiando e passei a adorar. E é por isso que hoje em dia eu dou mais chances aos jogos, especialmente se eu sentir que existe algum potencial: seja em cenários diferentes ou diferentes quantidade de jogadores ou seja lá o que for que possa ser experimentado. Esse é um jogo de dedução com vários cenários e dificuldades distintos. O problema era o seguinte: cenários fáceis existem muita sorte envolvida. O que gerava um sentimento de frustração com duas vertentes: seja por encontrar as respostas sem precisar deduzir, ou seja pelo oponente ter a resposta somente por fazer a pergunta certa. Ao testar os cenários mais difíceis, pude ver o real potencial do jogo. O problema é que existem cenários limitados e isso me passou uma visão negativa do jogo ser cash grab, isto é, quer pegar uma grana fácil das pessoas. Então, atualmente, faltam apenas três partidas para eu “zerar” o jogo. Só que encontrei uns cenários extras feitos pelo game designer (muito bem, meu camarada) que poderão estender a vida útil do jogo. Então, infelizmente, esse é um jogo com prazo de validade: quando jogar todas as partidas possíveis, vou vender. Só que isso não é um problema gigante, pois serão mais de 20 partidas. O que é uma boa quantidade para a maioria dos jogos.

Por fim, Código Secreto Dueto. Não faço ideia do motivo de terem mudado Codinomes para Código Secreto, mas tudo bem… Esse é o jogo da caixa vazia, pois tenho uma caixa branca feiosa que guardo todo o conteúdo que tenho de Código Secreto (desse e do jogo original). É um jogo que tenho sentimentos conflitantes. Motivo é que Codenames é meu jogo favorito e esse não chega nem perto. Entretanto, apesar de não chegar nem perto, ainda é muito bom. Acho que esse é um dos que não vão sair da coleção nem tão cedo. Uma das razões é que as cartas tão todas misturadas. Eu conseguir separar isso vai dar uma trabalheira que não faço a menor questão de ter. A segunda razão é que é uma excelente opção para estreitar laços e expandir referências com pessoas que você gosta. Claro que isso acontece com alguma frustração, já que você dará dicas que serão incompreensíveis, mas depois vira uma referência real.

Tá bom, né? Deixar apenas essa estante por hoje.

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