Minha Coleção #3

Voltamos com mais uma estante, né mesmo? Até o momento falei de 17 jogos. Tomei uma decisão: vou fechar primeiro a sapateira. Sapateira? Se não entendeu, veja as postagens anteriores aqui e aqui.

Pois é, agora é a segunda prateleira da sapateira. Na verdade, a sapateira tem quatro estantes, mas eu ocupo apenas três com jogos, que serão as mostradas. Então, hoje, vou mostrar a segunda. Que podemos chamar, carinhosamente, de “do meio”. Mesmo sem ser.

Evidência C: estante (sapateira) velha, prateleira do meio.

Novamente mais 7 jogos. Duas pilhas singelas de jogos com tamanhos similares. Vamos começar pela pilha menor (esquerda).

Primeirão é o Mandala. Esse é um jogo que eu sempre quis e depois que comprei (Outubro de 2024) só joguei duas vezes. Triste, né? Achei o jogo ruim? Não. Achei o jogo bom? Não sei ainda. Eu achei que tem umas boas ideias, tem um fluxo interessante e as decisões parecem ser bem importantes. Então, tem tudo para eu gostar do jogo, me resta só jogar um pouco mais? Só descobrirei jogando. Então, meta de 2026 é jogar esse bichano pelo menos umas 10 vezes. Ver se ele entra pra os favoritos ou se eu encho o saco. Das duas vezes que joguei eu senti que o jogo é meio tenso. Eu gosto de jogos assim, mas talvez ele seja demais. Vejamos o que o futuro reserva para Mandala. Eu gostaria de gostar dele.

Olha que engraçado, dois jogos de uma mesma coleção aqui em casa. Você já viu isso acontecer antes, mas eu nem citei. Tanto o Burgundy como o In the Year of the Dragon são da mesma coleção da Alea, fora serem do mesmo autor. Mandala e Patchwork são da mesma coleção de dois jogadores da Lookout Games. Patchwork é um jogo que comprei apenas pensando em vender, pois vi vídeos até de partidas e não entendia o apelo do jogo. Sim, na época, eu não conhecia nenhum jogo de poliominó. Na verdade, conhecia o Princes of Florence, um jogo mais antigo (2000) do Kramer e amigos (mas não Kiesling) pioneiro no uso dessas peças. Entretanto, esse jogo não me desceu. Então, fui rumo Patchwork bastante cético. Joguei meio que por desencargo de consciência e devo dizer: como é bom estar enganado. Não existe um sentimento tão bom de encontrar um jogo bom quando não se estava esperando. Deve ser uma sensação similar a encontrar dinheiro na rua. Os vídeos não conseguiam transmitir todo o quebra-cabeça de decisões apetitosas que acontecem durante uma partida de Patchwork. Decidir quando passar, quando pegar peça, qual peça pegar, como organizar para agir vários turnos seguidos, como gerenciar seus botões para ter o suficiente e não precisar passar a toa. Várias decisões excelentes em um escopo bem contido e simples. Talvez esse seja meu jogo predileto do Uwe Rosenberg. Imagine só, não é mesmo? Patchwork bateu nos consagrados Agricola e Caverna.

Abaixo temos um jogo que está aqui simplesmente por estar. MonsDRAWsity eu comprei na Amazon, com essas promoções louconas que às vezes aconteceram em 2025. Assim, o jogo não é horrível, mas quase não é um jogo.  Basicamente é um jogo de desenhar com alguém descrevendo algo e depois ter umas votações completamente enviesadas para distribuir uns pontos. Como jogo achei bem ruim, mas como atividade deu para rir na única partida que tive. Como a caixa tá meio esculhambada, não sei qual será o destino que vou adotar pro jogo. Em todo caso, está aqui só por comodismo mesmo. Se não tivesse sido tão barato, eu até iria atrás de vender. Mas como a grana é pouca, provavelmente ficará aí acomodado até eu ter a oportunidade de jogar mais algumas vezes ou, quem sabe, de usar suas canetinhas em outros jogos. Se bem que nem elas parecem ser boas.

Acho que agora apareceu o primeiro nacional da minha coleção. Admito, tenho poucos, mas se você for comparar o tanto de jogos lançados no mundo todo com os jogos lançados exclusivamente por game designers brasileiros no Brasil, você vai ver que o percentual é bem pequeno. Fora de Ordem é um jogo do Rodrigo Rego, até o momento o melhor dele. Lógico que na minha opinião, né? Fora que ainda não joguei vários dos lançamentos dele como Superstore 3000, Abroad e Landmarks. Esse último é o que mais estou interessado em conhecer. Eu gosto de pensar que Fora de Ordem é um jogo de trivia para quem gosta de jogo um pouco mais pesado. Não precisa ser um Vital Lacerda, mas sei lá, um Stefan Feld. Não acho que seja um Party Game, apesar de caberem 6 jogadores. Digo isso, pois no jogo existe estratégia no que chutar e como chutar, fora gerenciar sua mão de cartas turno a turno. Recomendo muito conhecerem. O único problema do jogo, para mim, é que ele é muito feinho. Os componentes até que são ok e funcionais, mas dava para ser melhor. Meu problema maior é com a caixa. Parece a logo de um desses bloquinho de Carnaval de bairro.

Acabada a pilha dos pequenos, vamos para a pilha dos retangulares. Esses jogos têm uma caixa próxima àquele formado dos Euros da primeira postagem. Bomb Squad é um que tenho faz uma era já. É mais um dos jogos que estava na minha coleção antes da mudança. Jogo cooperativo extremamente inspirado no Hanabi. A diferença aqui é que Hanabi sempre me pareceu um pouco mais atividade descompromissada, sem um real objetivo de vitória (se for fazer a pontuação máxima, é um jogo extremamente difícil) e com muitas possibilidades de roubadinha com caras e bocas. Bomb Squad pega a fórmula de segurar sua mão para os coleguinhas (em vez de para si próprio) e transforma em um jogo em Tempo Real. Isso bateu demais comigo, pois adoro jogos cooperativos em Tempo Real e sempre gostei da ideia central do Hanabi. Então, Bomb Squad veio para matar Hanabi da minha coleção. Confesso que Hanabi resistiu anos e anos por conta de seu tamanho minúsculo, mas eventualmente partiu da coleção.

Embaixo temos mais um jogo daqueles que você provavelmente não sabia da existência. Miyabi é um jogo do Michael Kiesling, sim o mesmo cara do Azul, que nem de longe fez tanto sucesso quanto seu abstrato mais famoso. Seguindo os mesmos moldes, temos aqui novamente um jogo de colocação de peças, no qual cada jogador tem seu tabuleiro pessoal em que irá montar um jardim (em vez de bater azulejo de banheiro) e que você vai pegando as peças uma por uma para colocar nele. O diferencial do jogo está pelo fato de existir um elemento 3d, isto é, existe a variável “andar” no jogo. Isso é até interessante, os componentes são de boa qualidade, apesar de eu ter achado a arte muito mais ou menos. O problema é que Miyabi funciona melhor para dois jogadores e eu já tenho uma reca de jogos para dois aqui. Esse é um dos que estou na dúvida se vai ou se fica. Pretendo jogar mais vezes nesse ano para tomar uma decisão.

Fechar hoje com um jogão. Esse é, com certeza, o melhor jogo dessa prateleira. Gloomhaven: Jaws of the Lion é o raro caso de dungeon crawler que eu gosto. O motivo é simples: é um Euro Game. Joguei até zerar a campanha, o que me rendeu 24 partidas do jogo. Acho que o jogo tem a duração perfeita para o estilo, mais do que isso eu não teria aguentado jogar. Inclusive, jogamos quase toda a campanha em 2024, ficando apenas as duas últimas aventuras para 2025 e 2026. Sim, um hiato meio grande, pois nosso terceiro membro da party deu uma sumida. Digo que Gloomhaven é um Euro Game tanto por conta das mecânicas. Não existe dado, você constrói um baralho e otimiza-o ao passar de nível. As ações são determinadas por uma mecânica de gerenciamento de mão e uso de cartas bem inteligente. Longe da liberdade existente na maioria dos dungeon crawlers que sempre permite você mover e atacar de uma maneira constante e uniforme. Para completar, a narrativa do jogo é extremamente secundária. Ela existe, está lá, mas o que importa é o quão as mecânicas do jogo funcionam bem e não a historinha de fundo. Esse jogo foi minha 5000ª partida desde que entrei no hobby de jogos de tabuleiro modernos. Um excelente representante. Será vendido, pois não faz o menor sentido jogar a campanha novamente e eu também não teria nem paciência para aguentar mais vários e vários cenários. Atingi meu limite e está ótimo assim. Não comprarei a caixa grande do Gloomhaven, nem o Frosthaven e nem nenhum outro dungeon crawler. Tá bom já.

Pronto, mais uma prateleira. A próxima será a última da sapateira.

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