Lição #55: Participe de convenções

Muitos anos atrás tivemos a Lição #9: Participe de eventos. Hoje a lição é parecida, só que diferente. Afinal, qual a diferença de um evento para uma convenção? E o que danado seria uma convenção de jogos de tabuleiro?

Quando eu citei eventos na Lição #9, eu quis dizer aqueles que ocorrem na sua cidade pro pessoal jogar, sabe? Geralmente ocorre uma vez no mês, às vezes em intervalos maiores ou até em intervalos mais curtos. Já organizei diversos eventos assim, tanto em Recife quanto em Juazeiro do Norte. Acho que é uma excelente maneira de divulgar o hobby e conhecer cada vez mais pessoas interessadas em jogos de tabuleiro. Ou quem sabe um evento focado em testar protótipos, assim você pode colocar o seu para ver mesa com uma galera mais engajada e interessada nesse tipo de envolvimento.

Só que na lição de hoje, estou falando de eventos diferentes. Eu quero dizer eventos que há uma presença editorial. Então, para mim é essa a diferença entre um evento (Spa de Jogos ou Baião de Jogos) e uma convenção: as editoras estão presentes, provavelmente vendendo seus jogos, realizando lançamentos e, não menos importante, conversando com criadores de jogos. É nesse último detalhe que nós entramos.

Mostrei até Regicida pro Reiner Knizia!

Eu não participei de tantas convenções assim, mas tenho me esforçado para ir pelo menos no Diversão Offline (DOFF) todo ano. Claro que iniciei isso faz pouco tempo, desde 2023, mas a cada ano tem sido uma experiência diferente. Além do DOFF, eu fui a apenas mais uma convenção. Eu diria que a mais importante de todas, no berço da civilização dos jogos de tabuleiro modernos: Spiel Essen na Alemanha. Então, vou contar um pouco das minhas experiências e demonstrar que participar dessas convenções é uma boa opção para qualquer criador de jogos.

Como falei, minha primeira ida ao DOFF foi em 2023. Eu fui empolgadíssimo, cheio de sell sheets e com a ilusão de que as pessoas iriam me atender e dar toda a atenção do mundo. Lendo essa primeira frase, até parece que foi um total fracasso, né? Mas não foi. Não lembro exatamente com quantas Editoras eu consegui falar durante o evento, mas a única que consegui uma reunião de verdade, isto é, sentar, mostrar os jogos e conversar, foi a Adoleta Jogos. Agradecer ao Leandro pela atenção ímpar nessa época. Entretanto, perceba que nem sempre “reunião de verdade” significa “jogo assinado”. Então, não subestime aquele encontro rápido de 5 minutos em pé com o representante da Editora. Foi nesse ano que conversei com Robert (da Grok) sobre Pitaco em pé durante alguns minutos mostrando meus projetos. E, sim, nesse mesmo ano assinamos contrato e o jogo saiu em 2025. Tive algumas outras reuniões em pé, entreguei algumas sell sheets, mas nenhuma rendeu em nada.

Pois é, no DOFF 2024 eu mais joguei do que trabalhei

Passando e criar uma tradição, fui no DOFF no ano seguinte. Entretanto, como consegui um contrato no DOFF de 2023, entrei em “Modo Férias”. Não conversei com Editoras, fui só para curtir e ver como funcionava o evento do ponto de vista do consumidor. Então, passei a feira rodando atrás de mesas para jogar. Comprei poucos jogos, pois o preço não é lá essas coisas. O que reparei com essa segunda ida foi que: o custo-benefício de ir ao DOFF como consumidor que não mora em São Paulo simplesmente não vale. Entretanto, como uma ferramenta de autodivulgação e de estabelecimento de contatos, vale a pena marcar presença sim. Lógico, dado que essa grana usada na viagem não lhe atrapalhe em aspectos mais importantes da sua vida. Prioridades, né?

Experiência incrível na Essen de 2024.

Nesse mesmo ano fui em Essen. Aí me organizei todo, marquei reuniões previamente e tudo mais. Tive reuniões com: Blue Orange, IELLO, Mandoo, Gameplay Publishing, Korea Boardgames. Não foram tantas editoras, mas foi com quem consegui marcar. Achei uma quantidade boa para uma primeira vez e com Editoras até de peso. A melhor experiência foi com a Blue Orange e Mandoo. Recomendo.

Já em 2025 a dinâmica foi similar à 2023, só que ainda mais focada. Dessa vez levei uma pastinha com os jogos e marquei reuniões previamente com quem aceitou marcar. Nesse ano o Diversão Offline também passou a ter a sexta-feira como um dia extra. Claro que aproveitei dessa oportunidade para falar com o máximo de Editoras possível antes da chegada do público geral no sábado. A princípio o sentimento foi de dever cumprido e aproveitamento máximo. Afinal, tive a oportunidade de realmente conversar com as Editoras, mostrar inúmeros projetos e discutir quais eram os mais adequados.

Fiquei em alguns momentos no estande da Grok pro lançamento de Pitaco!

Explicando um pouquinho como eram as reuniões: eu abria minha pasta com vários projetos e ia passando projeto por projeto. Em cada projeto eu dava os destaques e apontava potenciais pontos positivos para aquela Editora ou os pontos negativos para poupar tempo. Isto é, se uma Editora me diz que só quer jogo pequeno, quando eu chego em Henutsen que tem 39 dados, tabuleiro e afins, eu comento uma frase sobre o jogo, já digo que não é adequado e passo. Quando o jogo era de interesse da Editora, eu destacava que poderia ser algo no perfil deles, dava uma breve explicação do jogo e perguntava se houve algum interesse. Jogo rápido mesmo. Se tiver interesse, eu separo uma sell sheet para voltarmos depois nele. Desse modo, eu mostrava meus 16 projetos em torno de 5 minutos e depois a gente podia ir nos destaques para verem protótipos, discutir possíveis ajustes temáticos, testar uma rodada ou algo do gênero. Com esse processo eu esperava transmitir honestidade (renegar meus jogos em prol das especificidades da Editora), bom senso (economizar o tempo de todo mundo) e criatividade (vários projetos extremamente diferentes). Não sei se alcancei o esperado, mas tentei.

Pois bem. Várias dessas conversas foram para e-mail e WhatsApp posteriormente. Pareceu que finalmente eu tinha conseguido passar da chancela inicial imposta pelos mais diversos fatores externos. Entretanto, nenhum contrato (leia direito, eu disse contrato, não contato) emergiu de todo esse processo. O que é extremamente frustrante, pois dessa vez conversei com onze Editoras. Sim, onze. Consegui até mesmo testar jogo com algumas, outras ficaram com protótipos para testar posteriormente, mas nada disso pareceu ter surtido efeito.

Pronto, depois de todo esse relato. O que eu queria repassar? Não que eu tenha uma bola de cristal e todas as respostas. Na verdade, parece que quanto mais tenho contato com as Editoras, mais vejo que nada sei. Entretanto, acho que consigo dar algumas dicas para você baseado nessas minhas experiências:

  • Você precisa ir ao Diversão Offline. As pessoas dizem que o contato presencial é irrelevante, que online tem o mesmo resultado, mas é mentira;
  • Só que você também precisa estar preparado para não conseguir nada, apesar de seus esforços;
  • Simplesmente deixar a sell sheet com Editora só serve para reciclagem de papel, isso se jogarem fora no lugar adequado, só deixe sell sheet após uma conversa que você sinta que houve algum sentido;
  • Marque reuniões previamente, isso cria um compromisso com as Editoras e lhe permite aproveitar melhor seu tempo;
  • preparado para as reuniões, saiba todas as regras, saiba como repassá-las, leve sell sheets, leve protótipos, leve esquemas explicativos se achar que é melhor do que montar o jogo na mesa;
  • Esteja atento e seja humilde, algumas dessas pessoas estão na indústria há décadas, não é incomum uma breve olhada no seu jogo gerar pérolas de feedback;
  • Tenha um pitch de elevador pronto, isto é, consiga falar do seu jogo em menos de 2 minutos de maneira que engaje o ouvinte e faça querer ele saber mais.

Pronto, acho que é só por hoje.

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