Tá bom, eu sei que já existe a primeira postagem “minha coleção”, mas estou recomeçando o conto sete anos depois. Então, achei que ficaria feio dizer “edição 2026”. Qual meu plano? Tirei 9 fotos da minha coleção, cada postagem será uma foto. Basicamente, cada foto é uma estante.
Atualmente eu tenho dois móveis para conter minha coleção, uma estante que fica na sala, adquirida ano retrasado; e uma sapateira, adquirida assim que me mudei para Juazeiro do Norte em 2017. Então, as fotos vão alternar entre esses dois móveis. Vou começar já com uns jogos bons, para você não ficar chateado ou se sentir enganado de eu falando de vários jogos que só eu gosto e mais ninguém aguenta.

Vamos seguir a ordem que um ser humano normal usaria, né? Da direita para a esquerda. Temos aí a caixa da expansão de Troyes (em alemão): Die Damen von Troyes, vulgo As Damas de Troyes. Eu tenho o jogo base e dita expansão. Antigamente, ficava tudo armazenado na caixa grande, mas se você tem memória boa, vai saber que esse jogo veio de Recife. Então, obviamente, a caixa estava com mofo. Assim como os componentes. Mofos que foram despertando e se espalhando pouco a pouco, até que eu precisasse fazer um tratamento com sanol e trocar a caixa. Afinal, cabe tudo (expansão e jogo base) na caixa da expansão. Então, além de estar com uma caixa mais novinha, estou evitando ocupar tanto espaço.
Como você pode perceber, gosto do jogo o suficiente para ter a expansão. Algo raro entre meus jogos, pois costumeiramente me contento apenas com o jogo base. Só que Troyes é um jogo que se beneficia muito com a expansão, deixando-o com uma rejogabilidade incrível por conta das Cartas de Atividade novas. Então, é bem difícil repetir combinações. Claro que nem tudo são flores: a iconografia do jogo nunca foi muito intuitiva, o que faz com que eu precise consultar quase sempre no manual como cada Carta de Atividade funciona, seja da expansão ou não. Outro problema, é que essa é a melhor parte da expansão. Achei bom, mas não excelente, a inserção da nova ação que faz você mover um boneco pela muralha da cidade (e realizando ações diversas); e achei ruim o dado roxo, basicamente um dado coringa de qualquer cor que todo jogador tem e não pode ser comprado. A essência de Troyes é a compra (não negociável) dos seus dados pelos outros jogadores, colocar uma garantia contra isso é trair o cerne do jogo. Em suma, a expansão é massa, mas seu custo pode ser um pouco salgado para os componentes oferecidos.
Gosto muito do Troyes, mas devo admitir que estou começando a me cansar um pouco. Essa consulta eterna à iconografia está me dando uma canseira, depois de 30 partidas eu achei que já teria decorado, né? Fora que cada vez que jogo tenho a sensação de ser um pouco “obrigatório” investir alguns trabalhadores nos dados amarelos para conseguir uma graninha, senão você ficará muito refém dos dados que jogar.
O segundo jogo da prateleira é o Hansa Teutonica. Mais um que estava presente lá em 2017. Esse jogo é uma obra de arte, exceto pela sua arte. Interação bastante forte para um Euro Game, várias possibilidades estratégicas, dinâmica da mesa influi diretamente no ritmo da partida. É engraçado como um jogo de 2009 consegue se manter fresco hoje. Terra Mystica roubou daqui sua ideia de “liberar” coisas do seu tabuleiro pessoal. Nessa caixa estão atualmente o jogo base e uma expansão, mas eu tenho outra expansão que sequer joguei ainda. Inclusive, a expansão que está agora na caixa foi jogada apenas uma vez. Talvez você estranhe, mas é que diferentemente das 33 partidas de Troyes, eu só joguei o Hansa 13 vezes. Acho que o maior motivador dessa discrepância é que Troyes roda bem com 2, 3 e até 4 jogadores. Hansa é um lixo com 2 jogadores, funciona com 3, mas é realmente bom com 4 ou 5. Então, é um pouco mais complicado de ver mesa. Além de um fator crucial (já citado): o jogo é feio. A capa então, nem se fala… É triste. Literalmente, tem um cara com rosto triste na frente. Vou até botar a foto, olha isso:

Claramente, esse senhor está entediado com seu trabalho nos Correios da Alemanha. Mas eu o jogo é muito bom e a capa não faz justiça. Apesar de nunca ter me incomodado, claramente não é uma lindeza como a arte do Troyes. Isso dificulta vender o jogo, apesar do jogo ser muito mais direto e simples do que vários Euro Games.
Se você não conhece o jogo, recomendo fortemente. Exceto se você não gostar de interação. Aí é melhor você ir para uns joguinhos que cada um tem seu tabuleiro e os jogadores mal se tocam, interferindo uns nos outros só pelo mero acaso de suas decisões. Em Hansa é bem diferente: você se posiciona quase como um pentelho no tabuleiro, pois interagir com os jogadores é bom. É muito parecido com a comemoração das construções em Terra Mystica. Mas rapaz, tou vendo agora que Terra Mystica bebeu muito dessa fonte genial do Andreas Steding. Que, infelizmente, até hoje, não conseguiu ainda fazer um jogo tão bom quanto esse.
Vamos para o terceiro jogo da prateleira: Russian Railroads. É, meu querido, só jogo foda. Acho que esses três jogos figuram dentro do meu Top 5 de todos os tempos. Botei eles juntos por conta das caixas, mas é bacana ver um trio dessa magnitude tão próximos assim na estante. Outra similaridade com os já citados é que Russian Railroads também está com a expansão. Entretanto, a caixa da expansão não caberia todos os componentes. Sendo assim, eu uso a caixa do jogo base para abarcar todo o conteúdo. Esse é mais um jogo que estava na postagem de 2017, mais um guerreiro que sobreviveu ao corte de mais de 2/3 da coleção. A expansão aqui tem um papel primordial no jogo, pois sem ela o jogo é bom, mas com ela o jogo é excelente. Provavelmente, se eu não tivesse a expansão German Railroads, eu já teria vendido o jogo. Daí você tira o impacto. Mas o que essa expansão tem de tão especial? Bicho, basicamente você está avançando várias trilhas no seu tabuleiro e fazendo ponto de várias maneiras diferentes. Com a expansão, você meio que “configura” suas trilhas. É bem interessante o processo, pois as estratégias vão variar ainda mais. É quase como o que Era da Inovação fez com Terra Mystica. O mais engraçado é eu citar Terra Mystica tantas vezes já e o jogo nem tá na minha coleção. Já esteve… Mas não está mais.

Foram 24 partidas desse jogo, é um dos que tenho jogado pouco nos últimos tempos, mas tenho vontade de jogar mais. Vejamos como ele rende esse ano que estou tentando focar nos jogos que gosto. O ruim é que eu meio que preciso “treinar” as pessoas usando apenas o jogo base, para apenas depois curtir partidas com a expansão, pois o acréscimo de complexidade é considerável. Não regras, mas de caminhos e opções estratégicas.
E eu achando que essas postagens iam ser curtas. Acho que me empolguei. Vamos para o quarto jogo da prateleira? Esse, para mim, é extremamente inesperado: Hallertau. Mais inexperado ainda é eu já ter jogado esse jogo 22 vezes. Como diabos isso aconteceu? Se você não está entendendo minha surpresa, o negócio aqui é bem simples: não gosto de Agricola e não gosto de Caverna. Ambos são considerados clássicos e são do mesmo criador de Hallertau: Uwe Rosenberg. Só que eu prefiro muito mais o Hallertau. O que surpreende até a mim mesmo, não por ser um jogo flopado e que entrou em promoção, mas porque esse jogo tem várias cartinhas diferentes e um impacto da sorte relativamente elevado. Só que esse jogo é excelente solo e muito bom com 2 jogadores. Então, terminou que joguei várias partidas solo e algumas partidas com minha maior parceira de jogatinas. Eu gosto do jogo apesar da sorte, pois isso gera uma rejogabilidade grande. Toda partida é meio que um processo de descoberta para tentar desvendar qual a melhor combinação das cartas que você possui e qual o melhor caminho para a vitória. Pode ser injusto? Pode… Mas é divertido. Diferentemente do Agricola que é extremamente chato, restritivo e punitivo; assim como do Caverna, que tentou endereçar esses problemas do Agricola, mas terminou criando um jogo sem alma. Então, se você quer um joguinho de alocação gostoso de jogar de casal, não procure mais.
Logo no lado de Hallertau temos mais um jogo do Uwe Rosenberg. Esse eu sempre tive muita curiosidade de conhecer, como apareceu uma boa oportunidade, adquiri Campos de Arle. Joguei apenas três partidas, duas solo e uma de 2 jogadores (é o máximo que cabe aqui). Devo dizer que não me surpreendi muito e que senti que esse jogo é meio que um Caverna para apenas 2 jogadores. Então, o jogo não me deixou muito entusiasmado. Tenho o jogo já faz mais de 6 meses e esse tanto de partidas é um mau indicativo. Pretendo jogá-lo mais algumas vezes, mas não vejo Campos de Arle ficando na coleção por muito mais tempo não. Essencialmente, não gostei dele ser totalmente zero sorte, isso deixa o jogo muito similar a jogos abstratos, só que com uma camada de regras gigantesca. O que, para mim, não faz muito sentido. Eu gosto de jogos abstratos, mas justamente por serem jogos rápidos, elegantes e simples. Campos de Arle não é nada disso. Então, termina que temos meio que um sandbox de fazendinha que é ligeiramente entediante. As partidas devem ser irritantemente similares, o que não me faz ter vontade de revisitá-lo. Então, por enquanto, Hallertau ainda é meu jogo favorito do Rosenberg. O que talvez surpreenda as pessoas.

Finalmente, chegamos na metade da prateleira. Agora começam a aparecer alguns jogos menos conhecidos. O primeiro deles é Ginkgopolis. Que nome horrível de escrever… É um jogo do Xavier Georges, que é um dos co-designers do Troyes. Esse jogo ainda está na coleção, pois não sei se ele é genial ou simplesmente ok. O motivo desse meu comentário é que existem três tipos de “itens” no jogo: pontos de vitória, tiles e recursos (criativo, não?). Cada um deles funciona de maneira completamente distinta, só que o jogo parte da premissa de que todos são totalmente balanceados. Isto é, existiria uma conversão 1:1 de qualquer item para qualquer item. Caso contrário, o jogo é completamente desbalanceado. E é aí que mora a possível genialidade do jogo. Então, minha situação atual é simplesmente de ir testando o jogo com diferentes pessoas e tentando avaliar o quão genial o jogo é. Admito que gosto da natureza abstrata do jogo, mas claramente sou uma exceção, já que a maioria das pessoas se incomodou com isso e também dificultou o aprendizado do jogo. Veja bem, eu acho o jogo simples, mas o tema completamente colado a cuspe aliado às mecânicas diferentonas, fazem Ginkgopolis um jogo com uma primeira partida turbulenta. Então, apesar de ainda estar na dúvida, estou pendendo para achar que ele não irá aguentar até o final do ano.
O próximo também faz parte dos jogos desconhecidos. Attika é um jogo de controle de área com posicionamento de peças que lembra um pouquinho os jogos do Reiner Knizia. Você pode vencer no “susto”, conectando duas cidades ou vencer após colocar todas as suas construções no tabuleiro (mais comum). Eu gosto dele, mas apesar da caixa dizer que é um jogo de 2-4 jogadores, Attika é, na realidade, para 2 jogadores. Isso, para mim, não é um problema. Peguei esse jogo vários anos atrás em uma Math Trade e o bichinho veio mofado. Gostei tanto do jogo que tratei o mofo e agora virou um membro querido da coleção. Eu acho que esse ainda vai ficar por um bom tempo, mesmo que eu não jogue tanto quanto gostaria (21 partidas em 4 anos). Se você ficou curioso, ele foi relançado com outra temática (pra mim pior) sob o nome US Telegraph. Então, talvez seja uma maneira mais fácil de adquirir alguma versão do jogo.
Chegando ao finalzinho da prateleira, temos os dois jogos do Stefan Feld que tenho na coleção. Já tive alguns jogos do Feld, mas atualmente ficou apenas In the Year of the Dragon, adquirido mais recentemente; e Castles of Burgundy, esse está na coleção desde muito tempo já. Eu gosto dos dois jogos mesmo sendo bem diferentes. In the Year of the Dragon é um jogo punitivo em que você precisa gerenciar suas perdas de maneira estratégica. É uma dinâmica interessante e rara nos jogos de hoje. Eu joguei pela primeira vez no Spa de Jogos em 2021. Só adquiri minha cópia anos depois (2024), pois começaram a surgir várias cópias à venda por conta da reimplementação com a City Collection. Só tem um problema, eu joguei muito pouco. Foram apenas três partidas até agora. Então, nem de longe dá para falar que é um jogo que sei que ficará na coleção. Tudo bem que curto o jogo, mas já tive outros jogos do Feld que gostava e já foram embora. Sendo assim, me resta jogá-lo mais vezes para ver sua situação no futuro. A princípio eu acho que In the Year of the Dragon vai conseguir se segurar, pois é um Euro Game que funciona bem para 4 ou 5 jogadores (algo raro no meio), mas como seu concorrente direto com essa quantidade de jogadores é o Hansa Teutonica, fica difícil prever o que vai acontecer.

Já o Castles of Burgundy está na coleção por ser um excelente jogo para 2 jogadores. Os tabuleiros variados dão uma rejogabilidade interessante ao jogo, apesar de serem claramente desbalanceados. Como já tenho 26 partidas nas costas, consigo dizer com alguma segurança que acho difícil sair da coleção. Claro que pode acontecer, mas o que eu gostaria mesmo é que lançassem uma nova edição em uma caixa de tamanho normal com uma arte renovada. Muito chato essas editoras lançando umas edições revitalizadas dos jogos com arte incrível, regras revisadas, expansões a rodo… Mas com uma caixa grotescamente grande e valores exorbitantes. Não, para com isso. Só relança o Burgundy com arte bonita, caixa normalzinha e um preço justo. Certeza de que várias pessoas, eu incluído, comprariam uma versão assim.
Pronto, fechando a prateleira de hoje, temos Broom Service. Basicamente, temos aqui uma mescla de Trick Taking com Pick-up and Deliver. Duas mecânicas que não sou lá muito fã, mas aqui casou lindamente. Talvez seja pelas implementações das mecânicas serem bem diferentes do usual ou talvez seja só a demonstração de que o Alexander Pfister é desenrolado demais. O bacana desse jogo, é que você tem vários momentos interessantes acontecendo a cada rodada. Uma partida de Broom Service nunca é entediante ou morgada. Talvez frustrante, mas nunca sacal… Então, é um jogo para quem está disposto a enfrentar essas fortes emoções sem se abalar tanto. Caso contrário, talvez você tenha umas partidas bem ruins com o jogo. Em todo caso, eu prefiro um jogo assim do que um jogo que simplesmente não desagrada ninguém, que “funciona” bem toda partida. Geralmente, esses são jogos sem risco, padrões e que depois da terceira partida você já não quer ver a cara do jogo. Broom Service segue, devagar, com 9 partidas até o momento. Provavelmente, o que dificulta sua ida à mesa é a necessidade de 4 jogadores. Já que com 2 jogadores é muito sem graça, com 3 jogadores ainda é meio “meh” e com 5 jogadores demora demais por conta do tanto de gente. Concluindo, esse é mais um jogo que acredito que ficará algum tempo na coleção ainda.
Ufa, acho que já deu, né? 2600 palavras para falar rapidamente de apenas 10 jogos. Espero que tenha gostado. Até a próxima. Tchauzinho.
