Fui contar aqui e só faltam mais três postagens. Já já termina.

Demorei tanto para escrever sobre a coleção inteira, que a essa altura tem jogo que já foi embora, mas vamos falar mesmo assim dos bichinhos.
Começando da esquerda para a direita temos Marrakech, o joguinho dos tapetes. Eu ia dizer que é meu único Roll & Move da coleção, mas, por incrível que pareça, tem outro. Marrakech é um dos poucos jogos família que acho bacaninha, pois ele é bem levinho. Então, não fica naquele meio do caminho que acho estranho: tem decisões a serem tomadas, mas no final das contas a sorte tem um papel importante e aí você fica com o sentimento de que “pensou à toa”. Marrakech não deixa esse sentimento, pois o raciocínio é pouco mesmo. Existem estratégias? Claro, mas é tudo muito na cara, tão na cara que o que mais me incomoda nesse jogo é o pessoal dando pitaco na jogada alheia. Afinal, é tudo tão óbvio. Deixa a pessoa cometer um ou outro errinho. Não cante jogada alheia… Alpha player até em jogo competitivo? Tá foda. Então, perceba que já existem algumas críticas ao jogo (ou as pessoas jogando o jogo?), mas mantenho Marrakech na coleção por ser extremamente simples de explicar, é bom para eventos; por ter sido um presente, geralmente isso não é motivo para manter o jogo, mas aqui é um motivo a mais; e também por já ter usado como projeto de disciplina.
Seguindo, está o meu jogo de dedução favorito: Em Busca do Planeta X. Acho muito estranho esse jogo ter entrado em promoção. Vai ver o público brasileiro é anti-aplicativo, né? Não sei dizer… Eu não gosto dessas coisas espaciais e o tema não me pega de jeito nenhum, mas as mecânicas são ótimas. É um jogo de dedução que existe interação, que é importante analisar as perguntas dos outros jogadores e que existe, realmente, aquele sentimento de descoberta. Bem interessante, recomendo a qualquer pessoa que goste de jogos de dedução. O tema dá uma ajudazinha em não ser algo abstrato e devo dizer que é bem implementado.
O próximo você conhece, o queridinho dos novatos, ao menos dos novatos que gostam de diversão, Dixit. Admito que já enjoei de Dixit, mas era de se esperar após 84 partidas. Conheço pessoas que jogaram 10 vezes e já encheram o saco. Conheci Dixit lá em 2011 e achei o jogo muito divertido, tanto que adquiri não só o jogo base, mas também duas expansões de uma só vez quando comprei no finalzinho de 2012. Atualmente, já adquiri outras duas expansões pro jogo. Então, é carta que não acaba mais. Apesar dos pesares, ainda consigo me divertir com Dixit. Dependendo da mesa, é possível acontecer. Mantenho na coleção por ser um jogo coringa para eventos, já que mesmo em grupos iniciantes é comum alguém conhecer as regras. Além disso, as cartas estão todas misturadas e algumas já foram perdidas. Não acho que alguém iria querer pagar muito por uma cópia surrada do jogo, apesar de estar cheia de expansões.
Pelo visto essa é a estante dos jogos de dedução. Já chegamos no segundo: ArcheOlogic. Esse eu comprei na Amazon, apesar de ter conhecido em Essen. É um dos jogos que já me desfiz. Os motivos são simples: me pareceu mais um jogo de “busca” (tentativas exaustivas) em vez de dedução. Além disso, para o jogo funcionar de um modo menos estranho, eu precisei colocar regras da casa. Me incomoda demais fazer isso, pois na minha cabeça o criador do jogo já deveria ter feito todo o trabalho de design e desenvolvimento. O fator definitivo foi quando eu desisti no meio de uma partida e isso é um sinal extremamente ruim. Acho que se fiz isso umas 4 vezes na minha vida toda, foi muito. Então, diante disso, me desfiz do jogo. Ainda mais considerando que tenho tantos outros jogos de dedução que acho muito melhores.
Aparentemente os jogos próximos foram os que foram embora. Battle Sheep também não está mais na minha coleção. Entretanto, esse aqui, eu só tenho coisas boas para comentar. Os componentes do jogo são incríveis, as regras são elegantes, as partidas podem ser bem tensas. Acho o jogo tão bom que joguei 81 partidas antes de me desfazer. Ué, mas o que aconteceu? Cansei de ter partidas boas e partidas ruins. Dependendo do mapa, a partida pode terminar rápido demais. Dependendo dos jogadores, a partida pode se tornar ruim por fazerem várias jogadas subótimas que ajudam um ou outro jogador. Então, chegou o momento em que eu cansei de “precisar” jogar umas 2 partidas ruins para os jogadores realmente passarem a jogar de maneira competitiva. No começo eu não ligava, mas depois de tantas partidas isso pesou. Mas acredito que Battle Sheep cumpriu seu papel na coleção, foram muitas partidas legais.
Quando eu fui para Essen, eu trouxe uns 40 e poucos jogos novos. Neuland foi um desses, um dos poucos que eu trouxe após ter jogado uma partida. Joguinho simples e direto, mas com decisões interessantes. Acho que esse é o nível de jogo família que gosto, mas vai ver nem é família, já que foi indicado ao Kennerspiel des Jahres (premiação para jogos mais avançados). Não jogo tanto por medo de enjoar, pois sinto que vai ocorrer relativamente rápido, mas aprecio o design do jogo toda partida.
AI Space Puzzle é um dos que vi em Essen, mas não joguei e não trouxe achando que era dependente de idioma. Então, tempos depois, surgiu uma oportunidade e adquiri. Basicamente é um jogo cooperativo que mistura Codenames com Concept. Achei a ideia legal e divertida, muito bom para jogar em 2 jogadores e criar um “dialeto” novo usando apenas ícones e posicionamento espacial. Rende risadas, rende momentos relaxantes e é excelente para jogar quando quer só passar um tempinho de boas. Eu me vejo vendendo esse jogo no futuro, mas são tantas missões que acho que vai demorar ainda.
Pronto, agora, chegamos na pilha. Pequeno intervalo para discutir a organização de uma prateleira. Por qual motivo tem uns jogos em pé e outros “deitados”? O primeiro é para otimizar o espaço. Eu acho que não daria para colocar todos esses jogos da pilha em pé no espaço restante. O segundo é que tem uns jogos que não dá para botar em pé sem avacalhar tudo dentro da caixa, seja por causa do insert ou por causa dos componentes mesmo. O terceiro motivo não existe. Então, acho que era só isso, intervalo curto.
Olha só, dois Azul na mesma pilha. Botei de propósito juntos. Adquiri o Azul Duel recentemente, pois Azul Jardim da Rainha é o meu favorito, só que jogá-lo com 3 ou 4 jogadores não é bom. Então, pensei em vendê-lo e por isso comprei o Azul Duel como substituto. Entretanto, quem joga comigo, ainda não sabe qual dos dois prefere. Por isso, os dois ainda estão na coleção em processo de análise, mas o plano é se livrar de um dos dois. Em suma, minha preferência pelo Jardim da Rainha é sua complexidade, é um quebra-cabeça com mais coisas a se observar e pensar, especialmente em comparação com os demais Azul para vários jogadores; já minha preferência pelo Azul Duel é que ele, obviamente, funciona muito bem para dois, provavelmente melhor que qualquer outro. Em todo caso, estou vendo que não será uma decisão fácil, mas tenho quase certeza de que o Jardim da Rainha vai levar a melhor.
Blue Lagoon é mais um desses jogos que o mercado nacional não se interessou e teve diversas promoções. Muito estranho isso, talvez seja uma questão de visual? Se for, o público nacional é realmente superficial. Embaixo dessa arte que parece saída de Moama, tem um jogo com muita interação e com espaço para planejamento bem esquematizado, além de não perder nem um pouco no quesito de decisões táticas e leitura dos oponentes. Se você curte os clássicos do Reiner Knizia e está apreensivo apenas com a arte, vale a pena conhecer. Sinceramente, é melhor que Babylonia, Through the Desert, Samurai e tantos outros jogos extremamente aclamados do designer que seguem a mesma lógica de colocar tiles/peças em um mapa compartilhado.
Seguindo a pilha de baixo pra cima, e pulando os Azul, temos Nidavellir. Esse jogo tem um leilão cego bacana e flui de uma maneira bem interessante, só que eu não jogo tanto assim. Até o momento foram apenas 5 partidas e já está na coleção faz um tempinho. Lembrar de jogá-lo mais vezes, acho que o problema é que não levo em eventos, pois é um desses jogos que precisa ficar nessa posição (deitado) ou as coisas vão zonear demais.
Fechando hoje com o menor jogo da prateleira e, apesar disso, deve ser o jogo com mais vento dentro da caixa: boop. Esse é mais um que se virar a caixa, tudo vai voar lá dentro. Gostei do boop desde a primeira partida, gostei tanto que criei um jogo inspirado em boop. Então, é um daqueles abstratos com poucas regras e que flui lindamente na mesa. Tudo bem que boop tem seus defeitos e foi justamente em cima desses defeitos que bolei o meu jogo. Então, obrigado boop por existir.
