Diário do Designer: Regicida (Parte 8)

Novamente, depois de alguns anos, retornando para mais uma parte desse Diário do Designer interminável. Última parte foi em 27/10/2023, calcula aí: dois anos e oito meses para chegarmos ao final. Sim, ao final. Na realidade, nem demorou tanto quanto achei que iria demorar para fazer a última parte do Diário do Designer de Regicida. Que saga, meus queridos, que saga.

ATO 8: Fim


27/11/2023 – Primeira venda

Nesse dia foi a primeira venda após a parte anterior. Só para você que já esqueceu (que vergonha, só faz quase três anos): essa foi minha 81ª cópia vendida. Foi para um ex-aluno, Mateus Rosado. Devo dizer que, a partir desse ponto, vários alunos colaborarão para que as cópias de Regicida esgotem.

Depois foram várias outras vendas. Sim, continuarei os agradecimentos: Hughes, Lucas, Lavínia, Guilherme, Humbelina, Camila e Jules (três cópias que agora estão pela França), Ramon, Bruno, Thiago, Paulo.


03/05/2024 – Catarse

Resolvi tentar financiamento coletivo. Por que não? Nesses 4 meses antes de lançar essa ideia, eu tinha vendido apenas 11 cópias. É preciso tentar algo diferente.

Pois bem, a minha ideia foi a seguinte: Regicida é um jogo pequeno, eu irei pro Diversão Offline, seria uma boa oportunidade de vender e entregar cópias por lá. Foi essa a premissa da campanha: adquirir um jogo para retirar no evento. Não vou dizer que foi um fracasso, pois consegui arrecadar 1060 reais com 11 apoiadores. Pelo visto o número 11 me persegue.

Obrigado, Laís, Evandro, Neiva, Bliska, Vidkin, Alejandro, Felipe, Bruno, Murilo, Gustavo e Paulo.


21/05/2024 – Live Super Geek

Do nada, o Tiozão da Super Geek entrou em contato comigo para fazer uma live sobre Regicida. Prontamente aceitei, deixei o jogo com ele por intermédio de um amigo no próprio Diversão Offline. Assim, ele poderia conhecer o jogo para podermos bater um papo. Convidei Emerson, co-designer da variante solo, para essa conversa.

A live aconteceu no dia 20/06/2024. Sempre legal conversar sobre jogos e, mais legal ainda, sobre os jogos que a gente cria, né?


21/05/2024 – Diversão Offline

Minha segunda ida ao Diversão Offline, consegui também marcar um encontro com pessoal que eu só conhecia por conta do Ultima Online uns 20 anos atrás. Três pessoas compraram o jogo nesse encontro: Macmir, Berian e Gha. O problema é que Berian até hoje não pagou. Então, deixo registrado o único calote que sofri com Regicida. Estou desconsiderando os calotes (sim, mais de um) de criadores de conteúdo que pegaram cópias e não fizeram conteúdo. Em todo caso, foi bem legal o Diversão Offline.


2024.2 – Restante do ano

Mais algumas vendas rolaram. Agradecimentos à Sauri, Fábio, Domminique, Victor, Kleber, Enver.

Nesse ano, também fui para Essen. Sim, meio distante, mas só para você entender o quão distantes são as vendas. Deixei uma cópia com Zee Garcia do The Dice Tower, inocente eu, pois já havia deixado com Tom Vasel no ano anterior e nada aconteceu.


2025 – Vamos para os finalmentes, né?

Nesse ano aconteceram algumas coisas bem importantes que ajudaram nas vendas de Regicida. Lancei meu livro: Guia do Criador de Jogos de Tabuleiro e comecei a vender combos. A princípio pareceu mais fácil vender livro do que jogo, viu? Fora que uma promoção bacana pode atrair o pessoal. Então, com o lançamento do livro, marquei presença em alguns eventos no Nordeste no começo do ano. Foi uma boa oportunidade para revisitar o Balaio de Jogos em João Pessoa. Uma outra visita bacana foi na Vem Pra Mesa Game Center em Natal, nunca tinha ido e conheci o local onde “nasceu” a editora que publicou Distrito 6, revi até um amigo de infância (abraço, Kalby).

Nesse ano eu também comecei a lecionar a disciplina de Introdução à Game Design, o que rendeu vendas entre os alunos, pois eu fazia uma promoção especial (não comprar chegava a ser burrice). Por sinal, já estou na minha terceira turma, vários joguinhos legais saindo pelos alunos.

Fui novamente ao Diversão Offline e, dessa vez, deixei cópias do jogo com algumas editoras. Estava com um pensamento de fazer uma outra impressão ou mudar o tema do jogo, não sei. Como, agora, eu enxergava a possibilidade de eventualmente esgotar as cópias de Regicida, achei que poderia ser uma boa oportunidade para o legado continuar. No evento também rolou o lançamento de Pitaco! Isso também ajudou nas vendas de Regicida, pois fiz combos novamente.

Então fica aqui o agradecimento para uma reca de gente de uma vez: João Isaac, John, Gabriel, Candida, Jardel, Luana, Kevin, José Olinda, Giovanna, Dante, Emanuele, Valney, Raissa, Henrique, Luma, Clice, Elvis, Beethoven, Erasto, Ricardo, Bustamante, Djunaly, Murilo, Thiago, Jessé, Weskley, Dio e Lu, Fernando.

Tu já tá enxendo o saco, né? Calma que no final tem coisa boa.


2026 – Últimas cópias

Eu tinha uma caixa aqui de Regicida que dizia: “76 cópias”, acho que organizei as cópias em algum momento e contabilizei isso. Essa caixa durou, viu? Só que claramente, em 2026 restavam poucas cópias. Pareciam faltar umas 20? Eu nem acreditei e pensei comigo mesmo

Rapaz, duvido Regicida passar do Diversão Offline desse ano.

Dito e feito. Foram as vendas para os queridos: João, Bekembawer, Rafael, Cleomar, Victor, André, Édio, Amanda, Giovani, Ana Lívia, Samuel e Antônio que fizeram Regicida esgotar. A última venda foi em 04/06/2026.

Acabou. E já deu saudade.


Sinto saudades, pois Regicida me acompanha desde 2017. São quase 10 anos de uma jornada singular e incrível. Não bastasse ser por tanto tempo, Regicida nasceu num ano emblemático da minha vida: conclusão de doutorado, criação desse blog, primeiro contrato assinado, aprovação em concurso, mudança de cidade. Claramente, 2017 foi o ano que redefiniu as configurações da minha vida e Regicida foi um companheiro durante todo esse tempo.

Muitas vezes as pessoas pensam que eu só crio joguinhos. Realmente, são só joguinhos, mas esses pequenos amontoados de papelão são muito além da sua composição material. Regicida me mostrou meu próprio potencial. Regicida me salvou de enlouquecer na pandemia. Regicida me apresentou amigos. Regicida me trouxe amor. Então, apesar de todos os perrengues (e não foram poucos), o saldo foi extremamente positivo.

Obrigado a cada um que fez parte dessa jornada. Sinto que deixei um pedacinho de mim na casa de vocês.


Pronto. Agora vamos ao que importa? Vamos aos números.

Já citei anteriormente, mas gastei em torno de 20 reais por cópia de Regicida. Algo que, sendo bem sincero, hoje em dia é muito difícil. Especialmente, considerando os componentes do jogo serem tiles (extremamente grossos) e não cartas. Eu chutaria que manufaturar Regicida agora não sairia por menos de 50 reais. Ao menos não na quantidade que eu produzi (200 cópias). É um roubo? É sim, por isso você vê valores extremamente fora da realidade em jogos de financiamento coletivo.

Durante todo esse período, eu consegui lucrar R$ 4775,54. Isso desconsiderando qualquer tempo que gastei no jogo, isto é, na concepção, no contato com gráficas, nas trocentas idas aos Correios, etc. Então, dada a inflação e todos os custos que tive com o processo, eu diria que Regicida ficou no zero a zero. Ainda assim, vou fingir que todo esse dinheiro é, na realidade, lucro e provavelmente vou reinvestir em outro jogo. Afinal, um ciclo se acabou, mas outros podem iniciar.

Um detalhe muito importante para ressaltar é que essa grana não foi de 200 cópias vendidas. Como já citei em outros momentos, já dei cópias de Regicida como presente, já dei para influenciadores, já troquei por outros jogos, etc. Então, vendi 165 cópias.

Quantidade de jogos vendidos por determinados valores. Aquele pico no começo são os jogos doados, o pico no final são os jogos vendidos pelos 60 cheios. O aglomerado ao final são os jogos nos mais variados valores entre 50 e 60. Os dois picos isolados são de uma mega-promoção por 30 reais e outra por 40 reais, proveniente de combos.

Sendo assim, o valor médio por cópia vendida (desconsiderando as dadas) seria de 53 reais, o que é bem bom. Especialmente tendo em vista que fiz muitas ações promocionais, dá para ver pelo gráfico que a maioria das cópias foi realmente vendida ao preço cheio. Sendo que considerando as cópias dadas, o valor cai para 46 reais. Ainda um valor bom, tendo em vista que a produção foi por 20 reais.

Claramente, levar o jogo em eventos é positivo. Só que pensando do ponto de vista de negócio, não vale tanto a pena assim. O tanto que gastei com as viagens não chegou nem de perto do lucro das vendas. Se meu propósito com os eventos fosse, de fato, vender o jogo, eu teria fracassado. O propósito ia além disso: fazer parcerias, conhecer outras pessoas, me divertir, etc.

Por fim, fiquei com cinco cópias para uso pessoal. Como assim uso pessoal? Vai que alguma editora quer republicar o jogo? Tenho ele aqui para ceder. Vai que quero mostrar o jogo para alguém? É bom ter na minha coleção pessoal. Mas cinco cópias eram realmente necessárias? Sei lá, na pior das hipóteses posso guardá-la para vender quando o jogo estiver valendo muito por ser raro. Na realidade, mantive cópias por ter lido relatos de criadores de jogos, alegando que ter apenas uma cópia do jogo foi um erro.


FIM DO ATO 8

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