Sim, pulei fevereiro. Terminou que não conheci nenhum jogo novo em fevereiro, o que pode parecer estranho, mas como dei uma desacelerada total, nem é. Entretanto, em março… Rolou um negócio.
Além das jogatinas usuais, tivemos o Spa de Jogos. Esse é um momento bem especial no ano que conheço vários jogos novos em pouquíssimos dias. Tá bom que estou desacelerado, mas não parei, né?
07. Fotomania (2016)

Esse eu tava curioso em conhecer, tanto que estava na minha Wishlist. Quase comprei e que bom que não comprei. Eu gosto de explorar uns jogos de cartas mais diferenciados e Fotomania (chamado de Photograph lá fora, vide imagem) pareceu um desses. O jogo tem uma série de elementos interessantes: sua mão precisa se manter numa mesma ordem, tipo Bohnanza, só que é possível manipulá-la um pouquinho toda rodada; você precisa pegar cartas e montar coleções seguindo ordem ascendente ou descendente, elemento que costuma gerar boas escolhas; adquirir cartas é por meio de um draft aberto, o que garante alguma interação. Entretanto, o excesso de restrições, o bônus avacalhado para quem pegar 3 cartas da mesma cor, a iconografia para daltônicos minúscula, a partida com gente demais, deixaram a experiência desse jogo para mim um tanto subótima. Eu até jogaria uma segunda vez, pois senti que fiz umas cagadas já no começo por ter esquecido umas regrinhas, mas de resto, não acho que o jogo vá melhorar muito não. Eu senti que é um jogo muito longo para a proposta, fora que o impacto da sorte é muito elevado para o grau de análise necessário para não se autosabotar durante a partida.
08. Endeavor: Deep Sea (2024)

Eu já joguei o Endeavor: Age of Sails. Não gostei, apesar de que toparia jogar uma segunda partida. Não sei bem por qual razão não gostei, acho que o jogo ficou inflado ao usarmos conteúdo de módulos/expansões ou sei lá o que. Isso fez com que eu não fosse tomado pelo hype gerado por essa nova edição. Entretanto, foi tanta gente falando bem, foram tantas premiações e tanto bafafa que fiquei curioso. O que tem de tão bom nesse Endeavor? Finalmente, consegui jogá-lo e, realmente, faz todo o sentido seu sucesso. Endeavor é um misto de jogo acessível e de jogo para gamers, de um jeito que raramente você vê. A partida que joguei com apenas 3 jogadores demorou 2h30, mas ninguém da mesa sentiu isso. Sinceramente? Isso é um feito fantástico. Especialmente levando em consideração que 2h30 para nossa geração adoecida pela tecnologia é tempo pra dedéu. Gostei, jogaria novamente, fácil. Fiquei balanceado sobre comprar ou não o jogo, mas pelo preço dele eu sei que não compraria. Então, é aguardar pelas partidas jogando a cópia dos coleguinhas.
Sim, temos o segundo selo de aprovação do ano!

09. Flip 7 (2024)

Não entendi, desde o começo, o sucesso desse jogo. Só que, claro, como qualquer entusiasta e curioso, eu queria conhecer. Apareceu a oportunidade de jogar e joguei. Frase meio óbvia, mas é isso aí. Joguei duas partidas, uma depois da outra, com apenas 4 jogadores. Depois de jogá-lo eu meio que entendo o motivo do hype todo, pois pode ser um jogo bastante excitante com a mesa certa e as pessoas certas. Entretanto, não tem nada demais. Muita sorte, como esperado, alguns momentos divertidos e um quêzinho de adrenalina ao tentar pontuar muito para alcançar o líder. Não faço questão de jogar novamente, mas acho que toparia.
10. Hitster (2022)

Já esse aqui foi um pouco diferente do Flip 7. Vi várias pessoas comentando bem e fazendo, literalmente, uma festa para jogar. Minha expectativa estava lá embaixo, pois é basicamente um Timeline com música. Só que eu subestimei o poder da música. Realmente é bem divertido, muito mais do que Timeline já foi algum dia (observação: nunca foi). Em suma, temos aqui o Timeline que deu certo, pois o jogo ficou realmente divertido. Parece que as mecânicas só estavam esperando alguém descobrir essa combinação. Em todo caso, não tenho lá tanto interesse em jogar novamente. Toparia? Sim, mas não chega ao ponto de eu ter gostado tanto do jogo para um selo de aprovação ou algo assim.
11. Schrodinger’s Cats (2015)

Oxe. MeepleBR lançou esse jogo agora (2026), mas ele é originalmente de 2015. Basicamente temos aqui um jogo no estilo porrinha meio sem graça e datado. O jogo tem eliminação de jogador da pior maneira possível: alguém será eliminado na primeira rodada e o jogo pode durar até seis rodadas. Então, essencialmente, o camarada vai ficar só assistindo durante uns 80% da partida. Quem diabos escolheu um jogo desse para publicar? Todo mundo sabe que não é bom (nota 5,9 no BGG) e traz 10 anos depois? Isso me gera uma revolta, pois existem tantos jogos melhores de autores nacionais que eles nem dão uma segunda olhada.
Nesse mês teve Spa de Jogos, então. A partir daqui são os jogos que conheci nesse evento maravilhoso. Geralmente eu jogo mais no Spa, mas dessa vez rolaram alguns poréns. O primeiro foi que jogamos dois jogos errados. Então, desconsiderei para essas minhas primeiras impressões. O segundo foi que participei de cinco partidas de playtests, três jogando e duas supervisionando. Então, terminou que conheci apenas 11 jogos novos nessa edição.

12. Baghdad (2025)

Esse jogo pareceu uma mistura de Newton, faz sentido já que um dos designers tá aqui; e Viscondes do Reino Ocidental, por conta do sistema de ação e também pelo rondel no centro da mesa. O fluxo do jogo é bem de boas, você joga uma carta no seu tabuleiro, roda seu pino no tabuleiro em busca de coletar algo que consiga colocar no seu tableau baseado nos ícones das três cartas que você tem jogadas na sua frente. Essas cartas que você joga vão sempre deslizando, o que gera um sentimento de repeteco durante toda a partida, aí junta com o rondel central: é repeteco duplo. Entendo o conceito de Core Loop e afins, mas me cansam jogos que ficam se repetindo demais durante a partida. Existe uma pequena progressão de poder com as cartas, mas não muda a essência de como as coisas são feitas. Fora que o jogo não tem nada de novo e não faz nada tão bem que “mate” jogos anteriores. A princípio eu gostei mais de Newton do que desse aqui. Ambos só joguei uma partida, então me parece uma comparação justa. Um dos problemas que tive no decorrer da partida é que não existe pontuação durante a partida. Você fica meio perdido, sem saber se tá indo bem ou mal. Pode ser vantajoso para pessoas que não querem esse tipo de informação durante a partida, mas eu acho que é uma informação preciosa e, por isso, vários jogos possuem pontuação durante a partida. Não achei ruim, inclusive para quem curte o estilo vai gostar/adorar o jogo, mas não tenho vontade de jogar novamente.
13. Kathmandu (2024)

Fui no Spa de Jogos pensando em jogar alguns do Feld e Kathmandu foi um desses. O visual desse jogo é bem parecido com El Dorado do Knizia, mas a jogabilidade é completamente diferente. Não tem Deck Building e tem bastante rolagem de dados. Talvez você imagine que a rolagem é para se mover e é sim, mas é feita de um jeito Feld de ser: você rola 6 dados mas só usa 3 e pode re-rolar se desfazendo dos dados. Apesar de ser um jogo de corrida, é mais uma salada de pontos. Então, dá pra perder mesmo chegando em “primeiro” lugar. Achei umas ideias boas, mas no final do dia achei que o jogo tem muita sorte. Muita mesmo. Ele não é tão leve nem tão curto para o tanto de sorte que tem. Achei, realmente, esquisito. A ordem de jogar também tem impacto gigante, mas, diferente da maioria dos jogos do Feld, a ordem simplesmente “roda” na mesa. O que é uma decisão bem esquisita pro autor, especialmente considerando o tamanho do impacto no jogo. Resultado final foi: frustração por conta do grau elevado de sorte, impotência na última rodada em conseguir fazer algo por conta dos dados e vontade zero de jogar novamente. Não recomendo, ficou competindo com “The Name of the Rose” pelo pior jogo do Feld que já joguei na vida.
14. Glüx (2016)

Não sei por qual razão, mas eu esperava mais desse jogo. Tem espaço para algumas jogadas interessantes, mas em vários momentos senti apenas tédio diante das decisões que eu podia tomar. É isso, curto e grosso. Não achei horrível, talvez até topasse uma segunda partida, mas não vou sugerir.
15. HiFi (2025)

Jogo nacional, mas meio que sem ser. Sim, o jogo tem tudo nacional, só não saiu aqui. Esquisito demais. Em todo caso, achei um jogo com o tema bem traduzido por meio da arte e componentes de modo geral. Parece ter várias coisas bem pensadas, mas sinto que em alguns momentos pensou-se mais em deixar algo legal do que funcional. Por exemplo, o rondel de escolhas de ação gera um sentimento esquisito, pois você roda ele no sentido horário, mas a ação é selecionada anti-horário. É contraintuitivo e esquisito, pois você não move um pino pelo rondel, você roda o rondel para um pino. Bom, mas isso é besteira. Um outro elemento que ficou esquisito é que se você jogar a partida do outro lado da mesa, vendo o tabuleiro de cabeça para baixo, você precisa segurar suas cartas também desse mesmo jeito. Outra esquisitice, mas passável. Acho, não vou saber, pois joguei do lado “certo”. Mas, agora, falando do que realmente importa: jogabilidade. Mecanicamente, o jogo é de dar match em coisas: seja na carta jogada com relação às prévias, seja o conjunto de várias cartas na mesa bater com seu objetivo. Então, você passa muito tempo fazendo um cara-crachá enfadonho, o que deixa o jogo muito tático e de momento. Não tem como se planejar para suas ações, já que tudo muda com muita facilidade. Então, um jogo que nem é pesado terminou tendo Analysis Paralysis com jogadores que eu nunca nem vi sofrendo disso. Foi uma experiência estranha. Não gostei da experiência como um todo, achei o jogo um pouco tedioso e essa checagem de tabuleiro, mão e cartas disponíveis para adquirir não é algo tão interessante ou estratégico.
16. Planet Unknown (2022)

Primeira surpresa boa do Spa de Jogos. Devo confessar que estava começando a ficar chateado. Sexta-feira já tinha passado, sábado já tinha começado e ainda não tinha jogado um jogo realmente interessante. Até fazermos uma mesa de 6 jogadores para esse jogo.
Joguinho de tetris bem direto, mas com várias trilhas para avançar, robôzinhos para mover no seu próprio tabuleiro e até alguma interação com o vizinho por meio de objetivos de maioria. Acho que a palavra-chave é: divertido. Não sei o quanto rejogável é, mas a primeira partida foi boa. Legal ter um jogo que rode até 6 pessoas e que não seja mais um Party Game.
É isso, primeiro selo de aprovação dos jogos conhecidos no Spa. Inclusive, teria comprado a cópia de Menino que jogamos, mas Pepe foi mais rápido que eu com seus dinheiros de papel. Em todo caso, comprei tempos depois na Amazon mesmo.

17. Moon Colony Bloodbath (2025)

Joguei esse aqui sem a menor pretensão. Na realidade, eu tava até meio que com um pé atrás. É do mesmo Game Designer de Dominion, que, apesar da revolução no mundo das mecânicas, eu nunca achei tão interessante assim. Ainda me falaram que tinha Deck Building, aí fiquei ainda mais cabreiro. Durante a explicação a coisa já mudou de figura. Basicamente, os jogadores constroem um baralhozão gigante durante a partida. Então, é um processo bem diferente do Dominion e similares. Além disso, é um jogo de ação simultânea: revela-se a carta e todo mundo age com relação a ela. O que deixa o jogo bem dinâmico. Em suma, fui surpreendido positivamente com a capacidade desse jogo de traduzir uma emoção (ansiedade) com apenas cartas e algumas pecinhas. Me sinto ainda mais surpreendido por ser do Vacarino, pois entre Dominion e Kingdom Builder não sei qual o jogo mais sem tema dos dois. Tá de parabéns.
Não recebe selo, pois achamos algumas cartas muito mais fortes que outras. Então, termina que o mérito todo do jogo é transmitir um sentimento (o que eu acho um feito incrível) e a diversão de ver tudo indo ladeira abaixo. Entretanto, do ponto de vista das mecânicas e balanceamento, eu achei meio deslocado. Jogaria novamente.
18. Ready Set Bet (2022)

Mais um jogo com fortes emoções. Eu tava curioso em conhecer esse jogo já faz um tempo. Por várias vezes quase comprei na Amazon, mas sentia que não iria curtir ou que a rejogabilidade era baixa. Bom, quanto ao primeiro ponto, eu posso dizer que não é mais uma preocupação, gostei bastante do jogo. Muito divertido, engaja as pessoas e cria toda uma atmosfera de apostas que parece real. Sobre rejogabilidade continuo sem saber dizer.
Mais um selo de aprovação! Agora sim, o Spa engatou e nesse momento eu já estava bem satisfeito com as jogatinas, pois foram três partidas seguidas boas. Fiquei na dúvida se comprava ou não, mas terminei comprando. Espero não enjoar após apenas algumas partidas.

19. My Shelfie (2022)

Claro que não é só de sucessos que vive o homem. Joguei My Shelfie, sem muita expectativa também. É daqueles jogos bem simples e familiares com um quê de quebra-cabeça. Não tem lá muita profundidade, mas funciona para sua proposta. Os componentes são excelentes, mas o jogo por si só não é nada demais.
20. Koi (2025)

Esse eu nunca tinha ouvido falar. Apareceu uma mesa, eu tava sobrando, entrei. Koi é um jogo que você tá criando seu aquário e embelezando-o para pontuar mais pontos. O jogo tem um sisteminha de “combo” nele, que apesar de eu não ser fã, achei até bacaninha aqui. Acho que o maior motivo de ter gostado é que é um combo contido, você meio que “programa” um combo para depois ficar executando ele. É interessante, não é confuso, não fica se misturando com várias trilhas e locais separados. Achei clean e, por consequência, me agradou esse aspecto do jogo. Em todo caso, apesar de ter gostado de partes do jogo, ele como um todo não me agradou tanto. Achei que não engajou tanto assim. Não sei especificar a razão. Parece daqueles jogos que são perfeitamente funcionais, não têm coisas “fora do lugar”, mas não brilham em nada. No final das contas, achei simplesmente ok.
21. La Cuenta (2025)

Joguinho que simula uma mesa pagando a conta ao final de um jantar exorbitante. Na realidade, em vários jantares, pois são múltiplas rodadas. É um jogo de Take That meio que misturado com uma Escalada em múltiplos naipes? Não sei se seria essa a melhor descrição. Em todo caso, me pareceu que ia ser interessante por conta dessa escalada diferenciada, mas não é tanto assim não. Eu achei que seria algo inteligente e inovador, mas é mais do mesmo: lascar o amiguinho, muita sorte nas cartas que você possui na mão e muitas cartas desbalanceadas (ir no banheiro, por exemplo). Em todo caso, me diverti. Não jogaria novamente, mas me diverti nessa primeira e única partida. E foi com esse jogo que encerrei meu Sábado, só faltava mais um dia para jogar. Aliás, mais uma manhã na verdade.
22. The Druids of Edora (2025)

Eu fui para o Spa de Jogos querendo jogar esse jogo. Enrolei (e fui enrolado) em alguns momentos, mas finalmente resolvi jogá-lo. Montei a mesa, convoquei quem mais estava interessado, mas ainda não teve a oportunidade e jogamos. As regras foram relativamente de boas, eu que expliquei tendo visto vídeos dias atrás. Ponto positivo, afinal o jogo é, claramente, intuitivo e de fácil compreensão. Então, para mim, aqui foi mais um acerto do Feld. Um jogo elegante que não reinventa a roda, mas tem suas particularidades interessantes.
Achei o sistema de movimentação e ação similar ao Luna Maris, mas aí quando coloca o aspecto do dado e do controle de área a coisa muda muito de figura. Gerenciar os recursos é crucial para realizar as ações. Achei o balanceamento dos dados bem interessante. É legal ter dado alto? Claro, mas você paga muito por comida para isso. Então, os dados baixos têm suas vantagens também. As diversas ações do jogo são de fácil compreensão, por mais que existam muitas coisas espalhadas ao redor do tabuleiro: poções, objetivos e seu próprio tabuleiro pessoal.
Dois aspectos me incomodaram no jogo: é possível conseguir muitos pontos no controle de área, o que cria uma experiência de jogo um pouco sem graça. Mas é achismo, pois não segui essa estratégia. Mas, me parece, que se você tirou dados elevados, sua “única” estratégia é investir nas maiorias, na trilha de pontos por maiorias e passar o jogo catando comida sempre que for possível para poder pagar o custo elevado de baixar os dados altos. Então, talvez seja meio manjado. Só que do outro lado da moeda, parecem existir alguns caminhos para a vitória e foi como eu joguei. Então, apesar de não ter ganhado (por pouquinho), eu me diverti muito pensando nas ações, gerenciando meus recursos e tentando otimizar o máximo que podia (sem muito sucesso).
O outro aspecto que me incomodou foram as flores. Elas são ordenadas aleatoriamente e, claramente, têm flores melhores no começo e flores melhores no final do jogo. Então, dependendo da ordem que você tiver, isso lhe força a fazer X ou Y. O que não é um problema gigante, mas eu basicamente ignorei as flores por causa disso. Não me pareceu vantajoso avançar na trilha dada a minha configuração inicial. Uma maneira de mitigar isso, caso lhe incomode muito, é um jogador organizar aleatoriamente e os demais copiarem. Assim, não existe “assimetria” nessa preparação e tudo fica mais justo.
Ah, quase esqueço. Selo de aprovação com certeza, foi o melhor jogo que joguei no Spa.

23. The Gang (2024)

Pronto, para fechar o Spa de Jogos, rolaram duas partidas de The Gang. Sim, The Gang parece ser aquele tipo de jogo que você joga inúmeras partidas na sequência. Um grupo inclusive fez isso, virando à noite. Jogaram umas 7 partidas do jogo de cabo a rabo, terminando a última quando o restante do pessoal tava acordando para tomar café da manhã. A ideia aqui é bem simples: Poker cooperativo e, simplesmente, funciona. Eu só não fui atrás de comprar, pois Domminique não curtiu, mas estou quase comprando ainda assim. Sim, mais um selo de aprovação para um saldo bem positivo do evento.

Pronto, pessoal, espero que tenham curtido. Finalmente o Desafio 100N deu uma andada, pois parecia adormecido.
