Minha Coleção: Parte 4

Finalmente chegamos na última parte da minha coleção. Juntando com a postagem de hoje, você conheceu 47 jogos estimados (pelo menos a maioria) por mim e quem sabe descobriu uma ou outra joia escondida. Espero que tenham gostado da jornada, pois eu gostei de falar um pouco sobre os meus jogos. E para os amantes de shelfies, no final da postagem tem um brinde. Então, vamos deixar de conversa e fechar essa lista.

Snow Tails (2008)
Espero não estar me repetindo, às vezes tenho lapsos de memória, mas eu não sou lá muito fã de jogos de corrida. Tentei vários e nunca me agradaram. Snow Tails foi mais um dessa linha, chegou perto, mas não o suficiente para que eu mantenha na coleção. Em geral, eu espero que um jogo de corrida seja rápido (é uma corrida ou não?) e divertido sem ser óbvio. O problema do Snow Tails está nas possibilidades de Analysis Paralysis, devido à “complexidade” da mecânica de movimentação. A complexidade está entre aspas, pois não é realmente complexo, mas como a jogada dos outros jogadores podem interferir na sua, fica complicado elaborar seu turno antes que ele chegue. Eu gostei da mecânica de puxar o trenó e do aspecto puzzle dessa movimentação, mas simplesmente não se encaixa muito bem com um jogo que deveria ser rápido. Apenas aguardando um comprador para sair daqui de casa.
Space Alert (2008)
Simplesmente o melhor cooperativo de todos os tempos. Space Alert, assim como alguns outros do Vlaada, não parece ser do ano que foi lançado (2008), pois existe tantos conceitos inovadores nesse jogo que parece ter sido lançado ontem. Space Alert é um cooperativo em tempo real com programação de ações, provavelmente o melhor de ambas as categorias. É desafiador, rejogabilidade praticamente infinita e joga em menos de 30 minutos (talvez menos de 20 minutos se o grupo conhecer o jogo). Comprei a expansão no desespero de virar Out of Print, traumas com a Z-Man Games, mas até hoje não joguei… O plano era de jogar todas as missões de Space Alert e depois parti para a expansão, mas mesmo após 33 partidas joguei apenas 6 das 10 missões da caixa básica. Bom, eventualmente chegarei na expansão, provavelmente em 2018 quando passar esse Desafio 100N e eu investir em um Desafio 10×10.
Space Cadets: Dice Duel (2013)
Mais um jogo em tempo real e com temática de nave especial, mas apesar de tudo, é um jogo extremamente diferente do Space Alert. Dice Duel é um jogo de times e cumpre seu papel muito bem. É caótico, emocionante e tenso. Infelizmente, como demanda uma boa quantidade de jogadores (6 jogadores é o número ótimo) é difícil ver mesa, pois não agrada a todos… Mas quando consigo jogar uma mesa dele, é uma experiência sem igual. Se você gosta de jogos em tempo real e ainda não jogou Dice Duel eu recomendo bastante. A dinâmica dos times faz com que esse jogo seja bem diferente dos cooperativos em tempo real.
Strasbourg (2011)
Na minha opinião é o segundo melhor jogo do Stefan Feld e provavelmente o melhor jogo de leilão que já joguei. Eu não sou fã de leilões que usam dinheiro ou pontos na disputa, pois aumenta o nível de Analysis Paralysis a cada lance. Gosto menos ainda de jogos com leilão clássico (leilão termina quando algum lance não é mais coberto por ninguém). Strasbourg é diferente nesses dois aspectos. Existe um recurso apenas usado no leilão e o leilão é de lance único. Para completar, Strasbourg possui objetivos que para serem cumpridos precisam que o jogador não perca alguns leilões-chave. Todos esses aspectos fazem de Strasbourg um jogo tenso e que suas ações devem ser planejadas do começo ao fim. O único problema do jogo é que é possível um jogador interferir nos planos dos outros sem querer. Claro, isso acontece em quase todos os jogos de tabuleiro, mas em Strasbourg uma jogada dessas pode acarretar em uma perda de 10 pontos em um jogo que, em geral, o vencedor consegue uns 50 pontos. Isso pode deixar algumas partidas bastante frustrantes, especialmente quando ocorrem em múltiplos momentos durante o jogo.
Summoner Wars (2009)
Eu adquiri Summoner Wars em uma Math Trade em 2012, antes dele vir ao Brasil. Inclusive, me surpreendeu lançarem esse jogo por aqui. Bom, eu comecei com seis das facções e fui adquirindo as demais aos poucos. Eu não gosto de nenhum LCG da Fantasy Flight e olhe que já joguei uns 5. Não gosto tanto pelo esquema mercenário (comprar múltiplos sets iniciais para poder montar os decks?), como pelo conceito de meta-game (eu crio um deck para vencer o seu, depois você cria um para vencer o meu, depois eu crio outro para vencer o seu novo, …). Sendo que por algum motivo eu adoro Summoner Wars, é meu Top 1 até hoje, apesar de jogá-lo muito menos atualmente. Na verdade eu sei os motivos: várias facções com estratégias diferentes, mais do que qualquer outro jogo que eu conheça; construção de decks é bem restrita, evitando avacalhações; gerenciamento de mão excepcional, decidir quando e quais cartas usar como magia são decisões cruciais; o tabuleiro que permite movimentação, adiciona um elemento espacial e tático muito importante pro jogo; não existe power creep, inclusive muitas das facções antigas são as mais fortes do jogo. As qualidades são muitas e eu, até hoje, só encontrei dois defeitos: Magic Drain, que pode ser facilmente evitado jogando apenas com os decks novos, e azar/sorte extrema, mas é um aspecto que faz parte do jogo e não tem como remover sem destruir o jogo (removendo os dados). Vou parar por aqui, se não a lista não termina hoje.
Survive (2010)
Um dos meus primeiros jogos foi Shadows over Camelot, para minha sorte consegui trocar em um Survive. Isso faz um bom tempo, tanto que minha versão é essa ao lado (de 2010). Survive é um excelente jogo gateway, pois as regras são fáceis e intuitivas. Se seu grupo conhece War e achava bom, recomendo fortemente apresentar esse mundo dos jogos de tabuleiros modernos com Survive, pois o jogo é muito mais rápido e condensa várias emoções intensas nele. Mantenho na coleção apenas para levar em eventos com novatos, pois eu já enjoei de tanto jogar.
Sushizock im Gockelwok (2008)
Lembra que falei que joguei vários dice games do Reiner Knizia? Esse foi o vencedor dessa batalha. Sushizock é um jogo rápido, fácil e inteligente. Você adquire peças estilo dominó com valores positivos e negativos em duas pilhas, seu objetivo é balancear as duas pilhas para ganhar o máximo de pontos possível. Os dados da madeira e componentes roubados do dominó dão um charme adicional. Não é um dos jogos mais estratégicos, mas diverte e é bem rápido. Como não ocupa muito espaço, mantenho na coleção. É sempre bom para usar com novatos ou enquanto aguardamos mais alguém chegar.
Terra Mystica (2012)
Eu adoro a fase de descoberta dos jogos. Seja descobrir as novas facções, seja testar novas estratégias. Acho interessante em ver como os sistemas funcionam de maneira diferente. A caixa básica de Terra Mystica vem com 14 facções, isso lhe dá pelo menos 14 partidas de descoberta. O que é fantástico. Entretanto, na minha opinião, depois que você joga o Terra Mystica com todas as facções o jogo decai bastante. Como é um jogo de sorte zero, depois que você joga com todas as facções, só restou otimizar seu jogo. Eu não sou um fã de me especializar, me lembra jogos focados em competição, como Magic ou Xadrez. Eu sou alérgico a esse tipo de competição, eu jogo para me divertir, socializar e exercitar a mente. Voltando ao jogo em questão… Minha última partida de Terra Mystica foi em Novembro de 2016 e desde então não sinto vontade de jogá-lo. Mantenho na coleção simplesmente pela quantidade de componentes e pensando em futuros protótipos (sacrilégio!). Tenho a expansão de Terra Mystica e digo logo: não vale a pena. As facções possuem mecânicas forçadas e a única parte boa da expansão é o novo mapa, que é mais balanceado que o antigo, pois o esquema de ordem do turno é fiddly, a mecânica de leilão para escolher as facções é lazy design e os objetivos de final de jogo desbalanceiam o jogo para certas facções. Terra Mystica é um ótimo jogo, mas jogos assimétricos não me empolgam o suficiente depois da fase de descoberta, especialmente se forem pura otimização e/ou zero sorte.
Troyes (2010)
Jogão. Troyes já foi citado em uma postagem aqui no blog, então vou me adiantando. Aproveitando a deixa do amigo Amaro, temos aqui um jogo que gosto da arte, mas claro que somente a arte não segura um jogo na minha coleção. Troyes é um jogo com uma mecânica única de compra de dados que possibilita interações fortíssimas entre os jogadores. Totalmente excelente, estava Out of Print fazia uma era, que bom que voltou recentemente. Se você gosta de Euros com interação sangue nos olhos, recomendo dar uma olhada nesse. Recomendo fortemente a expansão, com uma ressalva: a única parte boa são as cartas. Todo o resto, deixe na caixa, pois só pioram o jogo.
Villa Paletti (2001)
Quando falei de Dungeon Fighter citei de uma época que comprei e testei vários jogos de destreza, Villa Paletti fez parte desse bolo e foi o único sobrevivente. Villa Paletti é um jogo estilo jenga, você pega uma peça de um andar de baixo e coloca no último andar, sendo que muito melhor. Primeiro, cada jogador possui sua cor, segundo existe um controle de área no andar superior e terceiro não sei, achei que teria um terceiro ponto. Recomendo jogá-lo com 4 jogadores, pois é a melhor configuração. Na realidade, com 3 ou 2 o jogo não é tão interessante.
YINSH (2003)
Eu não era muito fã de jogos abstratos, mas com o tempo eles passaram a me agradar mais, até porque convenhamos: a maioria dos Eurogames são jogos abstratos. Acho que YINSH foi meu primeiro jogo abstrato. Provavelmente eu nunca teria comprado o jogo “às cegas”, mas eu tive a oportunidade de jogá-lo antes. Como a maioria dos jogos abstratos YINSH é para apenas dois jogadores. Mantenho na coleção, pois é um jogo muito bom e eu gosto de ter jogos para apenas 2 jogadores que sejam relativamente rápidos.
ZhanGuo (2014)
Foi o último jogo que entrou na coleção, troquei Battle of Westeros nele. É um Euro Game com uma mecânica bem interessante de cartas, no qual você pode usar a carta para realizar uma ação ou para ser colocada no seu tableau. Já citei ZhanGuo no Desafio 100N. Então, se você já leu sabe que gostei, mas estou temeroso com a rejogabilidade. Logo, a situação de ZhanGuo é essa: se ele se provar digno em termos de rejogabilidade, ficará; caso contrário, partirá.

Como prometido, segue uma shelfie atual (foto tirada dia 23/04/2017). Vou aproveitar a oportunidade para fazer uma brincadeira: nessa foto está faltando um dos jogos listados. Deixe nos comentários a resposta. Se estiver achando a foto pequena, clique nela para ampliar.

9 Comentários

  1. Emerson Andrade
    5 de maio de 2017

    Excelente coleção, tirando alguns jogos que não sao Fun =P

    E sobre o jogo faltando ficou fácil porque vc levou ele para a Taverna domingo =P. Vou deixar o pessoal tentar acertar

    Responder
    1. Emerson Andrade
      5 de maio de 2017

      Eita tá ali, falei água aushuahsuahsuahs sei qual é mais não

      Responder
      1. Roberto
        5 de maio de 2017

        Oe! =P

        Responder
  2. Emerson Andrade
    5 de maio de 2017

    Dungeon fighter =P

    Responder
  3. Cássio
    5 de maio de 2017

    Grande Pinheiro!

    Space Alert: Sempre fui curioso sobre o jogo, até assisti uns gameplays, mas me travei num preconceito contra a Devir. O jogo também não é muito comentado por ai, não tem nenhuma recomendação. Na verdade, foi a primeira vez que vi alguém recomendar tão bem esse jogo. Você acha que o fator tempo real quase que elimina o alpha?

    Esse seu Survive nunca nem tinha visto a capa haha relíquia!
    Joguei apenas umas 3 vezes, em todas, eu não pude pedir “mais uma”. Entendo o fator gateway dele, realmente muito bom pra todas as idades, um verdadeiro family game. O rapaz que tem esse jogo aqui no grupo usa pra jogar com a família mesmo. Nunca enfrentei o polvo da expansão.

    Quando vc falou de Terra Mystica rolaram vários jargões (fiddly, lazy design) do ramo de game design… não sei se seria pedir demais, mas uma página/post de glossário explicando o que significa cada termo seria de grande valia.

    Responder
    1. Roberto
      5 de maio de 2017

      Fala Cássio,

      Pelo que eu tenho visto do Space Alert me parece ser ame ou odeie. Para minha sorte, a maioria das pessoas do meu grupo gostam do jogo. Eu acho que Space Alert lida bem com o aspecto Alpha Player por conta do tempo real e por ser um jogo de comunicação, não dá para uma pessoa controlar todo mundo. Fora que as cartas usadas para programar as ações são secretas, e mesmo após programadas as cartas ficam fechadas. Então, fica difícil rolar algo do tipo. Space Alert é um jogo que requer bastante comunicação, saber tanto transmitir quanto receber.
      É triste como a Devir é propaganda ruim dos jogos, pior que eles estão trazendo todos os jogos de um designer muito bom (Vlaada), e o alcance não é tão grande quanto a Galápagos por conta dos preços abusivos.
      Eu recomendaria você testar antes de comprar, pois é um investimento muito alto e não é um jogo que funciona com todos os grupos.

      Survive é um jogo que deve ser usufruído com moderação. Além disso, depois de um tempo ele cansa mesmo. Sendo um design de 20+ anos eu acho ele muito bom para a época e consegue se sustentar razoavelmente hoje em dia. A minha edição não é tão antiga, mas pode até ser considerada raridade, pois em pouco tempo lançaram a edição de aniversário (a mesma da Conclave).
      Eu até esqueci de comentar as expansões. Eu tenho o Polvo e não recomendo. Muito forte e quebra as regras de um jeito que eu acho ruim, pois é possível o Polvo matar pessoas até na terra, o único local considerado seguro do jogo.

      Sobre o glossário, não sei até que ponto é interessante. Mas vou pensar nessa sugestão… Enquanto isso, explico os termos por cima aqui:
      – Fiddly, tem uma série de definições, mas falo de quando o jogo tem aspectos que precisam ser gerenciados de tempos em tempos. O caso do TM é com a ordem de turno, que toda rodada, o jogador que passar primeiro deve mover seu token para o primeiro lugar da fila do novo turno. Todos os jogadores precisam fazer isso quando passar, toda rodada.
      – Lazy Design, vem de “preguiça” mesmo. Em vez de balancear as facções, a expansão do TM abraça que as facções são desbalanceadas e coloca um leilão para escolha das facções. Nesse caso, o game designer transferiu a responsabilidade que seria dele para os jogadores, que são responsáveis agora por balancear o jogo. Esse é um dos motivos que não gosto de leilão, em geral.

      Responder
      1. Cássio
        5 de maio de 2017

        Saquei o lance dos termos. Obrigado!

        Responder
  4. Hudson Moraes
    4 de maio de 2021

    Vixe! Pelo jeito você é daqueles que…

    Costumo dizer que existem dois tipos de jogadores de jogos de tabuleiro. Os que acham que Santorini é um ótimo jogo porque vem com muitas cartas de deuses e por isso tem uma enorme rejogabilidade. E os que também acham que Santorini é um jogo excelente, mas SÓ se for jogado SEM as cartas dos deuses. kkkkkk
    Acho muito interessante como todo mundo acha esse jogo incrível, mas por motivos opostos. rs

    Bom, quanto a mim… Estou num desses dois times. 😉 Hahaha!!!

    Responder
    1. Roberto
      4 de maio de 2021

      Tá comentando isso por conta de Terra Mystica? hehehehe Acho que Santorini e Terra Mystica são incomparáveis…

      Imagino que Terra Mystica sem os poderes seja bem tedioso, pois ele foi pensado assim.

      Com Santorini eu acho que acontece o contrário… Os poderes são detrimento ao jogo (bom, como é algo extra você poderia simplesmente ignorar).

      É aquela conversa que já botei aqui: Santorini consegue sobreviver só com a interação dos jogadores, Terra Mystica não.

      Responder

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