Lição #56: Participe de uma comunidade

Vai parecer friamente calculada essa Lição, pois acabamos de colocar o Engrene no Instagram, mas nem é.  Ou é, mas só um pouquinho. Tenho uma lista gigante de ideias aqui, uma delas era falar justamente sobre isso de pertencer a uma comunidade e cá estamos nós. Aproveita e já segue o Engrene. Ué, antes mesmo de começar a ler? Sim, por que não?

Não é duvidando da sua inteligência e acho que já ficou claro, mas primeiro quero deixar bem especificado o título. Não é qualquer comunidade. Não é participar das reuniões do seu condomínio ou fazer parte de um partido político ou ter contato com o pessoal de alguma comunidade do Orkut. Claro, pode fazer essas coisas também, mas estou falando (obviamente) sobre criação de jogos. Então, a comunidade seria de Game Designers, né?

Eu já participei de alguns grupos. Sendo que, de modo geral, os grupos eram focados em playtest. Sim, é útil. Sim, é importante. Mas, sendo bem sincero, eu não consegui me conectar com ninguém desses grupos. Primeiro que, para mim, coisas online geram um distanciamento natural. Tá bom, pode me chamar de velho, mas sou assim. Segundo, o objetivo do grupo era claramente botar seu jogo para testar. Não era trocar ideia. Era, literalmente, trocar playtests. Eu jogo o seu, você joga o meu. Então, eu sentia que estava participando de um escambo. Como se estivéssemos realizando transações comerciais com um único propósito em mente: ter o jogo testado. Me gerava um certo desconforto isso. Veja bem, eu acho que esse tipo de grupo funciona, tanto que existem diversos. Só que não funcionam para mim. Tentei e vi que não deu certo. No final das contas, eu queria algo além disso. Sinto que muitas das nossas relações sociais já são assim (uma troca de interesses), então sempre preferi participar de comunidades em que a troca envolvia um contato mais humanizado.

Empolgadíssimo, criei esse logo provisório na época.

Então, em 18 de junho de 2024, Thiago Dantas, um camarada que tinha conhecido há pouco tempo no Spa de Jogos, mas com quem, por qualquer razão que seja, simpatizo muito, me lançou uma ideia: “Outra coisa que queria conversar era sobre ter algum grupo de gente que gosta de criar jogos aqui do Nordeste, qualquer pessoa com ideias poderia participar e ter onde trocar ideias”. Topei na hora e, já no dia 27 de junho, tivemos nossa primeira reunião pelo Discord. Nessa mesma reunião abraçamos também a região Norte, pois somos duas regiões igualmente isoladas do polo de jogos de tabuleiro aqui no Brasil.

O plano era ter reuniões mensais, mas rapidamente fomos cansando: agendas conflitantes, falta de pautas constantes ou horários desconfortáveis. Em suma, não tinha motivo para que as reuniões tivessem uma constância tão grande. Atualmente, reservamos reuniões no Discord para discussões de tópicos importantes e que sejam complexos de discutir apenas pelo WhatsApp. Sim, nosso grupo do WhatsApp é relativamente movimentado e estamos constantemente fofocando sobre os lançamentos nacionais, realizando reflexões sobre o mercado, discutindo mecânicas que estão em alta e soltando piadas sem graça.

Já no ano de fundação, iniciamos os encontros presenciais anuais. Talvez você ache anual pouco, mas a locomoção por aqui não é muito simples. Apesar do Nordeste ter muitas cidades litorâneas próximas, nem todo mundo reside nelas. Eu, por exemplo, moro em Juazeiro do Norte, que não é perto de absolutamente nenhuma capital. Em todo caso, esses encontros presenciais foram experiências ótimas para rever antigos amigos, formar novos vínculos e também fazer muito playtest e discutir temas importantes. É justamente aqui que sinto uma diferença gritante para os grupos online. Por mais que seja apenas uma vez no ano, existe esse contato pessoal durante um final de semana inteiro. Fora que mantemos contato constante online, sem o playtest atrelado. Soa mais natural e, para mim, tem funcionado bem.

Encontro Engrene 2024 em João Pessoa – PB

Nosso primeiro encontro foi em João Pessoa. Já o nosso encontro de 2025 foi em Recife. Não faço ideia de onde será nosso encontro de 2026, estou pensando em organizar no próprio Diversão Offline. Vai soar estranho geograficamente? Claro, mas pode ser a oportunidade de conhecer e ver pessoas do grupo que não iriam organizar uma viagem única e exclusivamente por conta do Engrene. Existiria uma motivação maior. Bom, caso não dê certo, sempre temos o segundo semestre para organizar algo pelo Norte ou Nordeste. Gostaria de, algum dia, fazer um aqui em Juazeiro do Norte, mas sei que vai ficar distante pra todo mundo.

Encontro Engrene 2025 em Recife – PE

Uma grande novidade de 2025 é que estamos iniciando um processo de autopublicação. Claro que como são novos mares, ainda estamos engatinhando, mas rolou todo um esquema interessante. Fizemos uma espécie de edital interno, tivemos oito jogos inéditos dentro dos parâmetros estabelecidos (temático, componentes, quantidade de jogadores e peso). Os jogos estavam disputando pela oportunidade de fazer parte de uma coleção que seria lançada com o selo Engrene. Até o momento tem sido um processo bem experimental, cheio de novidades e aprendizados. Organizamos um cronograma, todos criaram seus jogos dentro de prazos estabelecidos, todo mundo testou os jogos uns dos outros e avaliou cada um. Então, foi uma oportunidade de receber feedback de mais de 10 pessoas. Foi um processo enriquecedor que aproximou alguns dos membros um pouquinho mais. Inclusive, alguns meses após essa iniciativa, surgiram ideias até mesmo de uma segunda coleção capiteaneada por um membro do Engrene. Acho muito satisfatório quando as coisas engrenam (ba dum tsss!) sem meu dedo presente.

Então é isso que uma comunidade pode lhe oferecer:

  • Playtest com pessoas que entendem do assunto;
  • Formar parcerias nos mais diversos sentidos;
  • Estreitar laços com pessoas incríveis;
  • Sentir-se parte de algo maior que você;
  • Trocar ideias variadas;
  • Aproveitar oportunidades.

Terminou que falei foi muito do Engrene, que é meu projeto pessoal de comunidade. Entretanto, toda essa conversa fiada foi para demonstrar o quão importante é ter uma comunidade ativa e que você se sinta pertencente. Dizem que a gente consegue caminhar mais rápido sozinho, mas que é possível chegar mais longe acompanhado. Meio piegas, mas acho que isso resume o que tentamos fazer com o Engrene.

Não existe uma comunidade assim onde você mora? Talvez seja o caso de você começar uma. É do Norte ou Nordeste e gostou do que leu aqui? Fala com a gente no Instagram para entrar. Não paga mensalidade, não precisa dar CPF nem comprovante de residência.

Nota pessoal: percebi, após escrever essa lição, que dou mais valor ao Engrene do que pensei que dava. E isso é uma excelente constatação.

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