Desafio 100N (2026) Janeiro

Ano passado eu fiz vídeos para o Desafio 100N, em vez dos textos que costumeiramente escrevo por aqui. Nesse ano, eu não sabia que faria texto ou vídeos. Por isso a demora em iniciar a falar dos jogos, mas optei por texto mesmo.

Foram poucos jogos em Janeiro e, incrivelmente, nenhum jogo em Fevereiro. Então, já sabemos que nesse ano não estou mirando para cumprir o Desafio 100N, mas só curtir a jornada. Vamos lá?


01. Dune Imperium: Uprising (2023)

Joguei Dune Imperium (o original) em dezembro de 2022. Gostei da minha única partida, algo raro considerando que o jogo é de deck building. Nessa época, eu acho que Uprising já estava anunciado. Vi muito bafafa na época sobre ser algo melhor e não sei mais lá. Resumindo: resolvi esperar. Então, dois anos depois da partida, comprei a versão Uprising. Foi quase na pré-venda. Inclusive, joguei minha primeira partida ano passado, mas foi solo. Aí nem contei. Então, o primeiro jogo que “conheci” esse ano foi esse.

Dune Imperium: Uprising é basicamente o mesmo jogo que o anterior, só que com mais coisas. Também tem um elemento polêmico, que são os minhocões. Eles realmente são fortes, talvez beirando o desbalanceamento, mas dá para ganhar brigas sem eles. Acho que o maior impacto é a recompensa dobrada que trazem. Em todo caso, achei interessante, pois gera uns atritos e emoções que não existiam no jogo original.

A maior qualidade do jogo, para mim, é a mistureba mecânica de alocação de trabalhadores com deck building e ainda aquela pitadinha de controle de área, que tem mais um feeling de leilão, pois é uma área só. Acho que todas as mecânicas se comunicam bem entre si, o jogo se encaixa de uma maneira bem harmônica.

Tenho apenas dois problemas com o jogo. O primeiro deles é a duração. Joguei apenas com 2 e 3 jogadores, tivemos partidas durando pouco mais de 2 horas. Não é nada criminoso e faz sentido para o tanto de planejamento necessário. O problema é se o jogo chegar a 3 horas com 4 jogadores. Aí, para mim, vai perder um pouco o sentido. O segundo problema é a sorte que existe na aquisição das cartas. Existem algumas expostas, mas pode acontecer de chegar na sua vez de comprar e não ter nada útil para o seu baralho. Na realidade, achei até comum isso acontecer. A “solução” do jogo é forçar você a ter grandes valores para poder, literalmente, comprar pontos. O que não é uma solução perfeita, mas acho válida.

Em suma, recebe selo de aprovação!


02. Clank: Catabombs (2022)

Coincidência o segundo jogo ser também deck building e não só isso, é do mesmo game designer: Paul Dennen. As coincidências não param por aí, também joguei o original anos atrás e essa é uma versão mais recente do jogo.

A diferença é que não gosto do Clank original. Então, joguei o Clank: Catacombs meio que só para conhecer e ver se melhorava algo. Devo dizer que eu preferi esse ao original. O motivo é bem simples: essa versão é mais divertida que o jogo original. Todo o aspecto de exploração faz mais sentido em um jogo com tanta sorte como Clank. O antigo tabuleiro pré-determinado deixa o jogo mais engessado e menos emocionante do que ele deveria ser.

Então, apesar de achar uma melhoria, não gostei do jogo o suficiente para dizer que merece um selo. O problema aqui está, novamente, na aquisição de novas cartas para seu baralho. É o mesmo problema e mesma solução que o Dune Imperium. Só que aqui eu sinto que é um pouco mais pesado, por conta das cartas de monstro que podem inundar as opções de compra. Outro fator negativo, tal qual Dune, é a duração. Só que aqui é um problema maior. Tudo bem Duna durar 2 horas, é um jogo estratégico com planejamento e decisões envolventes. Clank: Catacombs puxa mais pro jogo caótico e emocionante, só que é impossível sustentar esses sentimentos nas também 2 horas de partida (com 3 jogadores). E olhe que saí correndo rapidinho para forçar os jogadores a correrem (na expectativa de não conseguirem). Deu errado minha estratégia, inclusive, achei muito fácil sair da masmorra após o primeiro sair. O jogo dá tempo de sobra pros demais. Acho que nisso o jogo anterior era um pouco melhor.


03. Odin (2024)

Carteado de escalada bem simples e elegante. Devo admitir que prefiro muito mais os jogos de escalada em comparação com os jogos de vaza. Então, gostei de Odin por proporcionar boas decisões durante a partida: quando passar e como resolver o seu quebra-cabeça pessoal de como se livrar de todas as cartas da mão.

Joguei esse duas partidas e gostei das duas, apesar de ter achado que a segunda demorou demais. A primeira durou 27 minutos, já a segunda 48 minutos. Demonstrando que o jogo aumenta de duração quanto melhor for a mesa, já que a partida encerra quando alguém faz muitos pontos (perdeu demais). O que é um pouco contra a regra geral de: quanto mais jogarmos o jogo, mais rápida será a partida. Aqui é quase o contrário, pois em uma mesa competitiva, os jogadores vão distribuir suas vitórias e a duração vai ampliar, pois ninguém vai perder logo.

Penso em comprar, talvez jogar mais algumas vezes para confirmar isso. Por enquanto Odin é quase um selo de aprovação (e talvez continue sendo “quase” pra sempre).


04. Wavelength (2019)

Geralmente o pessoal não traduz os jogos que trazem pro Brasil, mas esse aqui foi até que bem traduzido para Sintonia. Eu sou curioso com esse jogo tem um tempão, mas só tive a oportunidade de jogar agora. Devo dizer que não me impressionou. O que é uma pena.

Não sei se minha expectativa estava alta demais ou me incomoda muito quando o jogo tem uns “buracos” gigantes de definições. Acho que é uma junção dos dois. Achei bem ruins as restrições de regras para as dicas. Elas são bem esquisitas e abertas a interpretação. O que sempre vai gerar aquela margem de: “não pode isso!”, “teu time só ganhou por ter roubado naquela dica” e “não podia fazer isso?”. Eu entendo que o jogo é leve e um Party Game descompromissado, mas jogos de time sempre possuem essa atmosfera mais competitiva que requer instruções claras e sem margem para achismos.

Veredito: me decepcionei.


05. Rewild: South America (2026)

Primeiro jogo nacional do ano. Bom, em partes. Na verdade, o jogo é de um game designer nacional, mas todo o resto é gringo: editora original, artistas e afins. Ah, claro, tem o tema também que é bem nosso.

Já vou começando dizendo que não sou fã desses jogos que cada carta faz uma coisa diferente. Isso é importante ser destacado, pois tem gente que adora isso. Então, a maioria das coisas que vou falar talvez sejam aspectos positivos para você. Lá vamos nós.

Meu problema com jogos assim é o mesmo que citei em Dune e Clank: existe um draft aberto para adquirir essas cartas. Chega na sua vez e pode ter coisa ótima ou coisa inútil lá. Pior ainda, podia não ter nada útil e, por conta do jogador ter adquirido algumas cartas, simplesmente aparecer algo excelente para você. Isso me incomoda profundamente, eu sinto que quem está pilotando o jogo não somos nós, é o jogo. Ele está oferecendo elementos aleatoriamente e a gente está pegando no ar quando dá. O jogo tenta dar uma corrigida nisso no modo Expert colocando umas cartas que você pode adquirir para poder reservar algo fora do seu turno. Para mim isso não resolve, só cria problemas distintos. Agora, os jogadores vão precisar dizer (fora do seu turno) se vão ou não pegar para si alguma carta que entrou. É quase como se fosse uma carta armadilha dos clássicos jogos que têm essas coisas esquisitas.

Novamente, Rewild é um jogo que demora umas 2 horas e que tem esses aspectos aleatórios presentes. Me incomodou mais que Clank até, pois lá existe emoção. Aqui não.  Achei também algumas cartas desbalanceadas, umas abrangentes demais e úteis para a maioria dos jogadores e outras específicas demais que você precisa se esforçar excessivamente para conseguir uma pontuação justa. Não é normal, ao menos eu não acho, uma carta não planejada aparecer e lhe dar 20 pontos. Especialmente quando o vencedor consegue uns 150 pontos, esse tanto de pontos recebido ao acaso pode definir o vencedor.

Joguei apenas duas partidas, uma no modo normal e outra no Expert. Sei que não foram muitas, mas minha conclusão é: vence quem jogou ligeiramente bem (pois se jogar porcamente não vai ganhar nem dando sorte) e foi abençoado com as cartas saindo no momento correto.

Achei algo de positivo? Claro. A arte é bem bacana, os componentes são de excelente qualidade e gostei do sistema de seleção de ações. Acho que é minha parte favorita do jogo, pois é algo que você pode planejar e se adaptar caso surjam oportunidades interessantes. Se o jogo tivesse feito um pente-fino no balanceamento das cartas e o sistema de aquisição delas fosse diferente, Rewild teria tudo para ser um jogão. Mas do jeito que está, é um jogo muito longo para o grau de aleatoriedade.


06. Istanbul: The Dice Game (2017)

Pelo visto esse mês foi tendência: jogar versões de jogos que eu já conhecia. Só que Istanbul Dice é bem diferente do original. Consigo até ver a base ali, com o custo dos rubis subindo quanto mais tarde você vai adquirir, mas fora isso…

Eu lembro que gostei do Istanbul original, não achei incrível, mas legal. Infelizmente, não posso dizer o mesmo desse jogo. Ele é, realmente, pior que o original. O jogo possui o elemento de sorte dos dados, mas não para por aí. Existem cartas que você compra às cegas que além de parecerem desbalanceadas, possuem um impacto situacional elevado: talvez lhe renda um rubi ou apenas umas moedinhas. A discrepância é muito grande.

De modo geral, eu achei que somos muito reféns dos dados e o último jogador possui uma vantagem. Essa não é uma vantagem enorme, mas está claramente ali: ele tem a capacidade de reação caso algum jogador consiga todos os rubis necessários para vencer e, também, ele tem a capacidade de encerrar o jogo sem reação dos oponentes.

Jogaria novamente, pois apesar de ter sentido esses problemas, joguei apenas uma partida.


06. Loira do Banheiro (2024)

Esse aqui eu joguei ano passado, mas empurrei para esse, pois foi muito em cima para fazer vídeo ou algo assim. Então, esperei o novo ano só para poder reclamar desse. Bicho, só existem duas decisões no jogo: 1) escolher qual jogador vai realizar uma ação (quando sai a carta disso); 2) quando usar o papel higiênico (isso se você tiver conseguido algum). Nenhuma das duas decisões é interessante. Em suma, o jogo se joga sozinho, quase que no piloto automático.

É isso, foram apenas 6 joguinhos. Fevereiro zero. O que será de Março?

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